Os bastidores do ataque que desviou US$ 6,3 bilhões da Binance

Atualizado em 1 de novembro de 2026 às 9:51
Investidora observa cotações de criptomoedas em smartphone
Investidora observa cotações de criptomoedas em um smartphone. Foto: Nhac Nguyen/AFP

A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, sofreu um ataque que desviou US$ 6,3 bilhões na quinta-feira (29), em uma invasão atribuída a hackers norte-coreanos. A corretora suspendeu inicialmente depósitos e saques enquanto tentava rastrear os ativos e prometeu cobrir as perdas dos clientes. Com informações do The New York Times.

As transações incomuns provocaram uma retirada multibilionária de moedas digitais das contas da empresa. Executivos da Binance organizaram uma sala de crise no sistema interno Wea e, depois, uma teleconferência que reuniu cerca de cem funcionários, entre especialistas em segurança e rastreamento de criptoativos.

He Yi, copresidente-executiva da Binance, trabalhou durante a madrugada a partir de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. O fundador e acionista majoritário da companhia, Changpeng Zhao, acompanhou publicamente a crise no X e escreveu que “os fundos dos usuários estão SAFU”, expressão usada no mercado cripto para indicar que os recursos estariam protegidos.

“Dói, mas vamos sobreviver”, declarou Zhao. Em outra publicação, ele reagiu a uma provocação de Elon Musk, que usou um emoji de careta em resposta a uma comparação entre Zhao e Sam Bankman-Fried, fundador da FTX. “Péssima hora para provocar. Por favor, pare”, respondeu o empresário.

Marca da corretora de criptomoedas Binance
Binance, uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo. Foto: Reuters

Investigação aponta brechas e rastreia lavagem dos ativos

A Binance afirmou na sexta-feira (30) que a investigação inicial identificou um laptop comprometido, mas posteriormente informou ter encontrado “outros pontos de invasão”. Ainda não há uma explicação pública definitiva sobre como os invasores superaram os sistemas de defesa da corretora. Neste domingo (1º), a empresa anunciou a retomada dos saques em etapas e disse ter recomposto cerca de 95% dos ativos afetados.

Chainalysis e TRM Labs atribuíram o ataque ao TraderTraitor, grupo de hackers ligado à Coreia do Norte. A Chainalysis afirmou que os responsáveis usaram “padrões de lavagem de dinheiro que nunca havíamos visto”, com milhares de transações realizadas em pouco tempo, possivelmente por meio de automação.

Tether e Circle congelaram mais de US$ 2 bilhões em moedas digitais vinculadas ao ataque. A Binance busca recuperar esses recursos, mas a TRM Labs estima que US$ 2,4 bilhões já estão “fora do alcance de qualquer emissor”. A corretora disse ter separado US$ 6,34 bilhões para cobrir os prejuízos.

He Yi reconheceu falhas na segurança da empresa em vídeo publicado no X. “É claro que há muitas coisas que fizemos de errado”, disse. “Deveríamos ter investido em segurança muito antes e de forma mais ampla, além de estabelecer padrões mais rigorosos.” A World Liberty Financial, empresa de criptomoedas ligada à família Trump, anunciou o congelamento de US$ 27 milhões em USD1 associados ao ataque.

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