
O número de mortos durante os ataques das forças dos Estados Unidos à Venezuela dobrou em 24 horas e chegou a 80 vítimas, segundo apuração do jornal The New York Times. O dado atualizado inclui militares e civis atingidos durante os bombardeios realizados no sábado (3) e foi confirmado ao jornal por um alto funcionário do governo venezuelano, que falou sob condição de anonimato. De acordo com ele, o total ainda pode aumentar à medida que novas informações forem consolidadas nas próximas horas.
No dia anterior, o próprio New York Times havia contabilizado 40 mortos após a ofensiva. O aumento ocorreu em meio a relatos de intensas detonações e ao sobrevoo de aviões militares sobre a capital, Caracas, nas primeiras horas da madrugada.
Segundo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente venezuelano Nicolás Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram detidos em “questão de segundos” e não tiveram tempo de reagir. Ambos chegaram a Nova York ainda na noite de sábado, após serem capturados em solo venezuelano, desembarcando no Aeroporto Internacional Stewart.
Trump afirmou que nenhum militar estadunidense morreu durante a ação. Em entrevista ao New York Post, declarou que “muitos cubanos morreram”, sem informar um número exato.
“Sabe, muitos cubanos perderam a vida ontem à noite. Você sabia disso?”, disse o presidente, acrescentando que integrantes das forças dos Estados Unidos envolvidos na captura sofreram apenas ferimentos leves. Pouco depois do ataque, Trump já havia afirmado que poucos estadunidenses ficaram feridos e que não houve mortes entre as tropas.
Anoche en Caracas grabaron como suena un misil. Que heavy. pic.twitter.com/DlzfC6EfPd
— Juan Pablo González 🇻🇪 (@Juanegron) January 4, 2026
Do lado venezuelano, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, afirmou que grande parte da equipe de segurança de Maduro foi morta durante os ataques. Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, o general declarou que o “sequestro covarde [de Maduro] aconteceu depois de assassinar a sangue frio grande parte de sua equipe de segurança”.
Padrino, que ocupa o cargo desde 2014, não informou o número exato de mortos, mas reforçou a gravidade da ofensiva em Caracas.
Após o sequestro de Maduro, as Forças Armadas da Venezuela reconheceram a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina do país. O anúncio foi feito pelo próprio Padrino, que disse seguir determinação do Tribunal Supremo de Justiça, responsável por estabelecer um mandato interino de 90 dias para Rodríguez.
Segundo o tribunal, a medida visa “garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação” diante da ausência do presidente. Os magistrados informaram ainda que irão analisar o “quadro jurídico aplicável” para assegurar o funcionamento do Estado e a preservação da soberania venezuelana durante o período de transição forçada.
Ainda no sábado, Padrino fez um apelo para que a população retomasse a rotina. “Apelo ao povo da Venezuela para que retome suas atividades de todos os tipos, econômicas, laborais e educacionais, nos próximos dias”, disse. A declaração ocorreu em meio ao clima de incerteza provocado pela prisão de Maduro e pelo aumento do número de mortos confirmado por fontes oficiais.