Até quando iremos aturar um moleque baderneiro na Alesp? Por Donato

A confusão provocada por Arthur Mamãe Falei na Assembleia vista por outros ângulos. Foto: Reprodução/YouTube

Arthur do Val, o execrável Mamãe Falei, protagonizou ontem mais um capítulo do único enredo que tem em seu repertório: a baixaria.

Em sessão na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para discutir a PEC da reforma da Previdência que propõe subir de 11% para 14% a contribuição dos servidores públicos, Mamãe Falei agiu com seus modos – ou a falta deles.

Diante das galerias repletas de servidores contrários ao aumento da alíquota, o deputado chamou os servidores de vagabundos, insultou líderes sindicalistas, manteve o dedo em riste para quem estava 50 metros distante.

“Levanta a mão quem é machão. Quem é líder sindical aí? Tá com medo? Quero ver me encarar. Quero pegar vocês, bando de vagabundo”, falou Mamãe Falei.

Imediatamente parlamentares correram em sua direção e o garoto só não apanhou porque a turma do ‘deixa disso’, auxiliada por policiais, conteve os mais exaltados.

O deputado Teonilio Barba (PT) estava furioso. Se não tivesse sido agarrado, Mamãe Falei estaria sem alguns dentes hoje.

Protegido, Arthur do Val permanecia fazendo diversos gestos obscenos em direção às galerias e chamava os servidores para a briga gritando “Vem, vem”.

Terminada a confusão, a deputada Mônica Seixas (PSOL) foi à tribuna:

“Quero questionar a permissividade da casa por um cidadão vir aqui chamar de vagabundos pessoas que ganham abaixo do teto do salário mínimo do Estado de São Paulo. Chamar policiais de vagabundos, estes mesmos policiais que o protegeram enquanto ele provocava e chamava de machão.

Ele é machão aqui em cima da tribuna, protegido pelos PMs que chamou de vagabundos.

A casa não cumpriu o regimento, não foi rigorosa em estabelecer a ordem. Pesos e medidas diferentes estão sendo adotados.”

A deputada da Bancada Ativista tocou na característica mais marcante de Arthur do Val.

Integrante do não menos aparvalhado MBL, o youtuber tornou-se figura conhecida ao infiltrar-se nas manifestações contrárias ao golpe que derrubou Dilma. Abordava intencionalmente pessoas simples e fazia perguntas pseudointeligentes.

Diante da dificuldade na resposta, Mamãe Falei fazia chacota e ridicularizava o entrevistado.

Isso não se faz. É uma deficiência de caráter gravíssima. Eu sempre acompanhei os atos da direita e seria fácil, facílimo, dar o troco na mesma moeda. Gente desinformada e despolitizada era o que não faltava ali.

Com o tempo, sua estratégia arrogante e sua figura intragável causaram irritação. Foi então que outra de suas características veio à tona: a covardia.

Arthur do Val não parou de comparecer aos mais diversos protestos e mantinha sua ‘pegada’ provocadora. Quando tirava alguém do sério, corria para trás da polícia e lá se acoelhava. Fez isso dezenas de vezes.

Correu de mulher, correu de estudante adolescente, correu de ativistas de todo tipo. Correu do DCM em ato do Passe Livre (vídeo aqui).

Blindado pelos agentes públicos da PM, permanecia provocando e dando risadinhas, sendo sarcástico, tal e qual fez ontem.

Há menos de um mês, Arthur do Val foi expulso do DEM. A expulsão atendeu a um requerimento feito ao Conselho de Ética e foi aceita por unanimidade. Desde então está sem partido.

Expulso não perde o cargo? Não, infelizmente. Só no caso de troca ou abandono de um partido é que o representante abre mão da representatividade vinda dos eleitores identificados com os princípios e objetivos daquele partido.

Por isso vemos esse comportamento ainda mais irresponsável e grosseiro nas aparições do deputado. Ele agora nem expulso pode ser mais, está bicho-solto. Resta aos parlamentares e a tal “casa” tomarem uma atitude.

Melhor esperarmos sentados.

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