
Uma pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quarta-feira (3) mostra que 53% dos brasileiros aprovam a decisão dos Estados Unidos de classificar facções como PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Outros 45% desaprovam a medida estadunidense.
O levantamento também aponta uma divisão sobre os efeitos da decisão para a soberania nacional. Segundo a AtlasIntel, 48% veem a medida como risco à soberania do Brasil, enquanto 45% avaliam que a classificação é necessária para tornar o combate ao crime mais efetivo. Outros 7% consideram que a decisão é simbólica e não terá impacto na segurança pública brasileira.

Quando a pergunta trata diretamente de agressão à soberania, o país aparece praticamente dividido ao meio. Metade dos entrevistados considera que a classificação dos Estados Unidos representa uma agressão à soberania brasileira, enquanto a outra metade não vê a medida dessa forma.
A pesquisa também mediu a expectativa sobre efeitos na segurança pública. Para quase 30% dos entrevistados, a classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas terá impacto relevante no combate ao crime e à violência no Brasil. Outros 44% acreditam que haverá algum grau de melhora, enquanto 23% avaliam que a medida poderá gerar algum grau de piora.
O levantamento indica ainda que 56% defendem que o governo brasileiro adote a mesma classificação para facções criminosas como PCC e Comando Vermelho. Outros 41% são contra a adoção da medida pelo Brasil, e 3% se declararam indecisos.
O tema também aparece com peso eleitoral. Segundo a AtlasIntel, 50,8% afirmam que votariam mais facilmente em candidatos que apoiem a decisão dos Estados Unidos. Outros 33,6% indicam preferência por candidatos que se oponham à medida, enquanto 15,7% dizem que o apoio ou a rejeição à classificação não será fator determinante para o voto.
A pesquisa foi divulgada em meio à disputa política aberta após o governo Donald Trump anunciar a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. A decisão foi celebrada por Flávio Bolsonaro, que esteve em Washington e defendeu a medida em conversas com autoridades estadunidenses.
O governo Lula criticou a decisão dos Estados Unidos e tratou a medida como risco de ingerência externa em tema de segurança pública. Integrantes do Planalto também passaram a associar a articulação bolsonarista em Washington a uma tentativa de usar a pauta das facções na disputa eleitoral.
A avaliação do governo na área da segurança pública também aparece negativa no levantamento. A AtlasIntel aponta que 54% avaliam negativamente o desempenho do governo no combate ao crime organizado, enquanto 37% fazem avaliação positiva. Quase 7% classificam o desempenho como regular.