Atriz resgata a Bandeira do Brasil, que havia sido sequestrada pelas milícias de Bolsonaro. Por Moisés Mendes

Atualizado em 20 de abril de 2020 às 13:25
A atriz Ana Luiza Bergmann no protesto contra a Carreata da Morte

Temos finalmente a imagem simbólica do que pode ser o começo do resgate da bandeira raptada pelos fascistas desde muito antes do golpe de agosto de 2016.

Que o Brasil reconheça e se inspire na coragem da atriz de teatro Ana Luiza Bergmann, agredida ontem por um grupo de golpistas reunidos diante do QG do Exército, no centro de Porto Alegre.

Também é simbólico que o protesto da atriz tenha ocorrido do outro lado da rua, na Igreja Nossa Senhora das Dores dos católicos de resistências históricas contra o autoritarismo.

Os golpistas tentaram se aproximar da calçada dos militares, que talvez nem queiram nada com eles. A maioria talvez não queira.

Ana Luiza buscou proteção na entrada da igreja da mãe de Cristo, outro sequestrado pela extrema direita. Lá do alto da mureta, ficou a observá-los.

Uma mulher foi lá, sem a proteção de machos, nua, protegida apenas pela bandeira, e enfrentou o fascismo que se diverte batendo em mulheres.

Ela e outros manifestantes foram corridos da aglomeração armada pelos golpistas. Uma menina levou um soco no rosto. Mas ela já havia cumprido sua missão.

Uma mulher destemida, uma atriz de teatro. É a arte que volta a resistir nas ruas da pandemia.

Fico feliz que a imagem tenha sido captada pela câmera do meu amigo de empreitadas do jornalismo Jefferson Botega, de Zero Hora. Que corra mundo.

(A primeira versão desse texto não tinha o nome da atriz. Eu decidi omitir, porque o dia seguinte pode ser o mais terrível. Mas Ana Luiza permitiu que seja publicado)