Audiência é tudo: Globo põe Maju Coutinho no JN e estimula o racismo no BBB. Por Altamiro Borges

Maju e Rodrigo Bocardi, do JN, no Instagram de William Bonner

POR ALTAMIRO BORGES em seu blog

A estreia neste sábado (16) da jornalista Maju Coutinho como apresentadora do “Jornal Nacional”, o telejornal de maior audiência da tevê brasileira, teve forte impacto nas redes sociais. A maioria dos internautas parabenizou a profissional e a TV Globo.

Já alguns fascistas, que saíram do esgoto com a onda conservadora que resultou na eleição de Jair Bolsonaro, destilaram seu ódio e preconceito. Como registrou a própria Maju Coutinho, em entrevista a Mauricio Stycer, do UOL, a repercussão da sua estreia do JN “é simbólica”, mas evidencia que o racismo ainda é uma realidade repugnante no Brasil.

Para ela, a repercussão se deve ao “ato simbólico de eu ser a primeira mulher negra a ocupar a bancada [em 50 anos de existência do JN]. É simbólico e, infelizmente, ainda é notícia. É uma comoção para uma população representativa do país que não se viu ainda contemplada naquela bancada… Tem de fato uma sub-representação. E as pessoas realmente estavam carentes disso. Ao observarem que há uma chance desse quadro começar a mudar…Tem a Zileide no JH, temos Heraldo no JN e na GloboNews…Obviamente que eu quero que chegue o tempo em que não se fale mais nisso, que sejamos confundidos… O meu sonho é que, realmente, isso não seja mais notícia um dia”.

Esse sonho, porém, ainda está muito longe de virar realidade, inclusive na tevê brasileira. Para alcançá-lo será necessário muita coragem e luta – e não posturas servis que negam a existência do racismo no Brasil, como expresso no livro escrito pelo diretor de jornalismo da Globo, Ali Kamel.

Em meados de 2015, a própria Maju Coutinho foi alvo de ataques racistas nas redes sociais. Na ocasião, ela mesmo respondeu às ações criminosas em pleno Jornal Nacional: “Eu já lido com essa questão do preconceito desde que eu me entendo por gente. Claro que eu fico muito indignada, triste com isso, mas eu não esmoreço, não perco o ânimo, que é o mais importante”.

Na entrevista ao UOL, Mauricio Stycer inclusive lembra que a TV Globo voltou a ser criticada nos últimos dias em função das cenas de racismo explicito do BBB. Maju Coutinho responde: “Não estou assistindo. Acompanho o BBB pelas redes sociais e pelo que você escreve. Não parei para ver. Mas acompanho a repercussão. Claro eu ouvi essas polêmicas. Acho que o BBB é um microcosmo da nossa sociedade. Uma sociedade que tem racismo estrutural e isso está vindo à tona. E vir à tona, por mais dolorido que seja, também é uma maneira de forçar a sociedade a promover a reflexão para uma tentativa de mudança de pensamento. E eu espero que mude”.

Mauricio Stycer também poderia ter citado as pesadas críticas à emissora em função da ausência de atores negros na novela “Segundo Sol”, que estreou em maio passado. Na ocasião, a direção do império global afirmou, em uma nota arrogante enviada ao colunista, que “rejeita o critério de representatividade racial na escalação de elenco”.

Apesar de ser ambientada na Bahia, onde 76% dos habitantes se declaram pretos ou pardos segundo o IBGE, o elenco contava apenas com três atores negros e em papeis secundários. Ainda naquela ocasião, o UOL apresentou um levantamento de outros preconceitos exibidos pelas novelas da TV Globo.

 

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