
Um áudio divulgado na noite de sexta-feira (3) envolve o deputado estadual Guto Zacarias (Missão), ligado ao Movimento Brasil Livre.
Na gravação, divulgada pelo canal Meteoro Brasil, o parlamentar aparece conversando com uma mulher sobre a interrupção de uma gestação. O conteúdo já havia sido mencionado em denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), que investiga o caso como violência psicológica contra a ex-companheira do deputado.
No áudio, o deputado descreve métodos para o procedimento, menciona a duração e indica uma clínica em São Paulo.
“O método de hoje em dia não é o mais invasivo, é praticamente uma sucção, ou seja, não tem sangue, demora de 20 a 25 minutos, é feito nos Jardins com especialista na área”, diz. “Não consigo entender nenhum motivo para não fazer esse método”.
🚨🚨URGENTE: gravação na íntegra mostra o deputado Guto Zacarias, do MBL, induzindo a companheira ao aborto pic.twitter.com/Z32ond6HwZ
— Willian Tavares 🇻🇦 (@WillianTavares9) April 3, 2026
A mulher registrou boletim de ocorrência em 12 de fevereiro de 2025. Segundo o relato, ela afirmou ter sido submetida a ameaças durante a gravidez, episódios de pânico e dificuldades financeiras.
Após a divulgação do áudio, a Bancada Feminista do PSOL protocolou pedido de cassação do mandato no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo, com base em quebra de decoro parlamentar.
O pedido menciona a denúncia do MPSP, que aponta suspeitas de violência psicológica e tentativa de coação para interrupção da gestação, além dos relatos apresentados pela mulher. O documento solicita a abertura de processo disciplinar, que pode resultar em sanções previstas no Código de Ética da Alesp.
O MPSP também afirma, na denúncia, que o deputado teria utilizado “manipulação, chantagem emocional e constrangimentos reiterados” contra a ex-companheira. O caso tramita em segredo de Justiça desde julho de 2025, quando a denúncia foi apresentada com base na Lei Maria da Penha. A Justiça aceitou a denúncia, tornando o parlamentar réu.
A defesa do deputado afirma que há perseguição política e sustenta que a ex-companheira agiu “por impulso” ao registrar a ocorrência. O Conselho de Ética da Alesp ainda não se manifestou sobre o pedido.