
Áudios vazados de um funcionário de alto escalão do governo federal, Diogo da Fonseca Tabalipa, subsecretário do Ministério dos Transportes, expõem humilhações verbais feitas a um ex-caseiro. Nos áudios, o servidor, em tom agressivo, insulta o trabalhador, chamando-o de “analfabeto” e “burro pra caralho”, aproveitando-se de sua posição superior. O caso evoluiu para uma disputa judicial.
Em um dos áudios, obtido pela coluna Na Mira, no Metrópoles, Tabalipa ameaça utilizar seu conhecimento jurídico para bloquear as contas bancárias do ex-empregado e de sua esposa, afirmando que o trabalhador não teria “direito a nada”. A ameaça e o uso do aparato jurídico como arma foram acompanhados de provocações sobre a dificuldade do caseiro com leitura e escrita.
O episódio, ocorrido há cerca de um ano, foi registrado na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), mas o caso foi arquivado, sem que o subsecretário fosse punido no âmbito criminal. No Judiciário trabalhista, o cenário foi diferente: em fevereiro deste ano, a justiça reconheceu os direitos do ex-caseiro, contrariando a versão de Tabalipa de que ele “não teria direito a nada”.
Ouça:
O ex-caseiro, ao ser procurado, disse que os ataques não se limitaram a uma disputa trabalhista, mas sim a uma violência psicológica. “Quando ele me xingou e ameaçou a minha família, mudei de ideia sobre entrar com ação na Justiça”, afirmou, destacando o impacto emocional das ameaças.
Tabalipa, por sua vez, alegou que os áudios foram proferidos em um momento de raiva após provocações e que se desculpou logo depois.
O servidor também afirmou que sempre teve uma boa relação com o ex-caseiro, inclusive oferecendo apoio financeiro, e que o episódio está relacionado a uma disputa judicial sobre uma dívida não quitada pelo trabalhador.
O servidor alegou que o caso foi analisado pelas autoridades e arquivado por falta de elementos para responsabilização criminal. Segundo ele, a atual exposição do caso seria uma forma de pressão ou retaliação no contexto da cobrança judicial pela dívida de mais de R$ 10 mil que o caseiro possui.