Auto-acusação: ex-Lava Jato diz que há “perseguição política” de “possíveis candidatos a presidente”

Lima e seu pupilo Dallagnol

Que coisa linda é o ato falho.

A entrevista de Augusto Aras ao grupo Prerrogativas suscitou uma histeria coletiva na Sociedade Protetora dos Dallagnois, encabeçada por Gerson Camarotti.

Míriam Leitão, cujo filho Vladimir Netto faturou muito dinheiro com uma hagiografia de Sergio Moro que foi adaptada para uma série picareta, diz que o PGR “realiza o sonho de Jucá”.

Segundo Míriam, “o que ele está fazendo não é correção de rota, mas sim o desmonte do edifício que investigou a corrupção”.

Ninguém, contudo, supera o ex-integrante da força-tarefa, o procurador aposentado Carlos Fernando dos Santos Lima, o “barbudinho”.

À reacionária Gazeta do Povo, ele lamentou que este “é o pior momento porque a Lava Jato se encontra completamente abandonada de qualquer tipo de apoio dentro dos órgãos de Estado”.

“Quando você dá um poder excessivo ao procurador-geral da República que pode arquivar o que ele desejar, sem controle do STF, e pode processar e investigar quem ele desejar, especialmente num ambiente em que estamos com essa dúvida sobre a influência do presidente Jair Bolsonaro sobre a Polícia Federal e o Ministério Público, tudo isso demonstra-se muito grave”, aponta.

E a cereja do space cake: “Podemos estar diante de um abuso, de uma perseguição política em relação a possíveis e eventuais candidatos a presidente ou outros cargos”.

Ora, ora, ora.

“Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo”, disse Freud.

O que os templários do Paraná fizeram senão exatamente o que Lima descreve contra Lula e o PT?

Em agosto de 2019, ele participou de uma mesa-redonda com Renata Lo Prete na GloboNews em que confessou o seguinte:

“Existem ‘lavajatistas’ que são a favor do Bolsonaro, evidente. Muito difícil seria ser a favor de um candidato que vinha de um partido que tinha o objetivo claro de destruir à Lava Jato.

Vivemos esse dilema, dilema do menos pior. Naturalmente, entre a Lava Jato, muitos entenderam que o mal menor era o Bolsonaro.

Haddad representava justamente tudo aquilo que nós estávamos tentando evitar, que era o fim da operação. Agora, infelizmente o Bolsonaro está conseguindo fazer.”

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