Autor de “Macarena” critica uso da canção em vídeo ligado à guerra no Irã

Atualizado em 6 de março de 2026 às 23:45
Antonio Romero Monge, da dupla Los del Río. Foto: reprodução

O cantor espanhol Antonio Romero Monge, integrante da dupla Los del Río e autor do sucesso mundial “Macarena”, criticou o uso da música em um vídeo divulgado pela Casa Branca que mostra operações militares dos Estados Unidos contra o Irã. A publicação, compartilhada nas redes sociais, reúne imagens de bombardeiros, lançamentos de mísseis e ações de guerra acompanhadas por uma mixagem da canção que marcou os anos 1990.

Em entrevista à emissora espanhola Canal Sur, Romero afirmou que ficou profundamente incomodado ao ver sua música associada a cenas de conflito armado. Segundo o artista, a intenção original da composição sempre foi transmitir alegria e celebração, e não servir de trilha sonora para episódios de violência.

O músico relatou ter ficado “arrepiado” ao assistir ao vídeo divulgado pelo governo estadunidense. Para ele, a associação entre a música e imagens de bombardeios representa uma distorção do espírito da obra. Romero reforçou que “Macarena” foi criada “para trazer alegria ao mundo, não para destruí-lo”.

Durante a entrevista, o compositor também questionou a decisão de utilizar uma canção festiva em um contexto de guerra. “Por que usar algo tão engraçado para uma situação dessas?”, perguntou o artista, demonstrando perplexidade com o uso da música na publicação.

Apesar da crítica, Romero reconheceu que, uma vez lançada, uma música passa a circular livremente e pode ser apropriada por qualquer pessoa ou instituição. O artista lembrou que “Macarena”, composta há 33 anos e lançada em 1993, continua sendo tocada em todo o planeta.

Segundo ele, a popularidade da canção tornou impossível controlar sua utilização. Romero observou que o sucesso da música faz com que ela seja reproduzida “em todos os cantos do mundo”, independentemente do contexto em que aparece.

O vídeo divulgado pela Casa Branca mostra aviões de combate em ação, porta-aviões no mar e disparos de mísseis realizados por forças militares dos Estados Unidos. Entre as imagens exibidas aparecem registros de bombardeios recentes no Irã, incluindo o ataque que matou o líder iraniano Ali Khamenei no último sábado (28), segundo relatos citados na publicação.

Nas redes sociais, o vídeo gerou reações divergentes. Enquanto alguns usuários criticaram a associação entre uma música conhecida por embalar festas e imagens de guerra, outros ironizaram a situação e chegaram a comentar que “Macarena se tornou a canção oficial” do conflito.

A polêmica também provocou reação internacional. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, comentou o episódio ao criticar a divulgação das imagens militares acompanhadas pela música.

“Juntamente com a publicação de vídeos e fotos mostrando crianças sendo enterradas no Irã, surgiu um vídeo da Casa Branca exibindo ataques aéreos ao som da popular ‘Macarena'”, afirmou.

Em seguida, a diplomata acrescentou: “Isso, é claro, não é mais cinismo ou hipocrisia. Até onde eles estão dispostos a chegar?”

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.