Autora da pesquisa da polilaminina admite erro e diz que artigo será revisado

Atualizado em 7 de março de 2026 às 7:46
A doutora Tatiana Coelho de Sampaio e a polilaminina. Foto: Reprodução

A pesquisadora Tatiana Sampaio afirmou que fará uma revisão no artigo científico que apresentou a polilaminina como possível tratamento para lesões na medula espinhal. A profissional reconheceu problemas na escrita do trabalho, inconsistências em dados e falhas em gráficos divulgados no pré-print publicado em 2024. Segundo a cientista, uma nova versão do texto está sendo preparada para submissão a uma revista científica. Com informações do g1.

A polilaminina é uma proteína derivada da laminina, molécula presente nos tecidos humanos que ajuda na sustentação das células. A hipótese investigada pelo grupo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) é que a substância possa estimular a regeneração de conexões nervosas quando aplicada na medula lesionada. A pesquisa reúne cerca de duas décadas de estudos e incluiu testes experimentais em oito pacientes humanos a partir de 2018.

O trabalho ganhou grande repercussão após a divulgação do caso de Bruno Drummond, paciente com lesão medular que voltou a andar depois de participar do estudo. A exposição nas redes sociais impulsionou o interesse público no tratamento, mas também levou especialistas a questionarem aspectos metodológicos do artigo, como inconsistências na apresentação de dados e a interpretação dos resultados.

Bruno Drummond, que sofreu um acidente com lesão medular aguda em 2018 e aplicou polilaminin. Foto: Divulgação/@bfdrummond

Entre os problemas reconhecidos pela pesquisadora está um erro em um gráfico do estudo. Na versão atual do pré-print, um participante aparece com cerca de 400 dias de acompanhamento mesmo tendo morrido poucos dias após o procedimento. Tatiana afirmou que houve um erro de digitação e que os dados pertencem, na verdade, a outro paciente. Ela também disse que irá substituir uma imagem ligada a exames de eletromiografia que estava mostrando dados brutos.

A nova versão do artigo também deve incluir uma análise separando os pacientes por tipo de lesão medular e uma revisão geral da redação. Tatiana afirma que as mudanças não alteram os dados apresentados nem as conclusões do estudo e mantém a avaliação de que a polilaminina pode ser eficaz. O artigo já foi submetido a duas revistas científicas, Springer Nature e Journal of Neurosurgery, mas acabou rejeitado.

Especialistas afirmam que ainda há dúvidas importantes sobre o tratamento. O estudo divulgado até agora não possui grupo controle, o que dificulta determinar se as melhorias observadas foram causadas pela polilaminina ou por intervenções como cirurgia e fisioterapia intensiva. A substância ainda precisa passar por ensaios clínicos regulatórios em humanos, iniciando pela fase 1 de segurança, etapa que foi autorizada pela Anvisa em 2026, mas ainda não começou.