Bacellar, TH Joias e desembargador são denunciados por vazar operação ao CV

Atualizado em 16 de março de 2026 às 17:51
TH Joias e Rodrigo Bacellar (União Brasil). Foto: Reprodução

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o deputado estadual licenciado Rodrigo Bacellar (União), o ex-deputado estadual TH Joias e o desembargador Macário Ramos Júdice Neto ao Supremo Tribunal Federal (STF) por obstrução de investigação e por vazamento de informações sigilosas para o Comando Vermelho. A acusação também incluiu duas outras pessoas, que ajudaram o grupo.

O STF agora decidirá se aceita a denúncia, o que transformaria os investigados em réus. A acusação contra o desembargador é de violação de sigilo funcional. A PGR alega que o magistrado repassou informações sigilosas sobre operações policiais para Bacellar, com quem tinha uma relação de amizade.

Bacellar e TH Joias são acusados de usarem suas posições para prejudicar investigações. A PGR afirmou que o vazamento de informações comprometeu o sucesso da Operação Zargun, que visava TH Joias, permitindo que ele retirasse materiais de seu gabinete na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) e fugisse antes da operação.

A Operação Zargun, realizada em setembro de 2025, teve como alvo TH Joias, que foi preso por envolvimento com o tráfico de drogas e associação ao Comando Vermelho. De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro, ele usava seu cargo de deputado para beneficiar o tráfico, nomeando comparsas para cargos na Alerj e agindo como intermediário na compra de drogas e armas.

A operação também levou à prisão de Bacellar, que foi acusado de vazamento de informações sigilosas. Ele foi detido em dezembro de 2025, mas liberado após a Alerj votar pela sua soltura.

O desembargador Macário Ramos Júdice Neto. Foto: Reprodução

A Operação Zargun revelou a associação de TH Joias com o Comando Vermelho e sua atuação como intermediário na compra de armas e drogas. Além disso, a ação revelou como o deputado usava sua posição para beneficiar a facção criminosa.

Bacellar, por sua vez, teria comprometido a operação ao vazar informações, permitindo que os investigados se preparassem com antecedência. A ação da PGR e o envolvimento de figuras políticas e judiciais mostram a complexidade do caso.

A Polícia Federal, durante a operação Unha e Carne, cumpriu mandados de busca e apreensão relacionados ao vazamento de informações no contexto da Operação Zargun. Embora Bacellar tenha sido preso, ele foi liberado dias depois pela Alerj.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.