
Parlamentares jovens de PT, PSOL, PCdoB e PSB articulam uma “bancada profissional digital” para ampliar a presença da esquerda nas redes sociais e enfrentar a força da direita no Congresso durante o quarto mandato do presidente Lula (PT). A informação é da coluna de Malu Gaspar no jornal O Globo.
O grupo reúne ao menos 13 deputados, entre eleitos e reeleitos, e surgiu a partir da mobilização digital da campanha de Lula. A estratégia ganhou força após o presidente terminar o primeiro turno 2,2 milhões de votos atrás de Flávio Bolsonaro.
Guilherme Cortez (PSOL-SP) e Ana Júlia Ribeiro (PT-PR), eleitos para assumir cadeiras na Câmara no próximo ano, estão entre os nomes da iniciativa. Ambos já mantêm presença relevante nas redes e defendem coordenação de mensagens entre os mandatos.
André Janones (Rede-MG), reeleito deputado federal e responsável pelo canal de WhatsApp “Exército de Lula” durante a campanha, deve participar da estrutura. Em reunião com Janones, Lula afirmou na quinta (29): “A gente vai trabalhar para fazer uma comunicação digital muito forte”.

Grupo defende mensagens e hashtags coordenadas
A articulação pretende reproduzir no Congresso métodos usados em campanhas digitais, como a publicação simultânea de conteúdos e o uso das mesmas hashtags. A mobilização pelo fim da escala 6×1 é citada como referência para ampliar o alcance de pautas da esquerda.
Os parlamentares ainda não realizaram uma reunião preparatória, mas discutem uma linha mínima comum sem eliminar a autonomia de cada mandato. Cortez afirmou que a esquerda está mais preparada qualitativamente para enfrentar a direita, apesar da correlação de forças desfavorável no Legislativo.
O PL concentra 121 deputados, número próximo ao total de 124 eleitos por PT, PCdoB, PV, PDT, PSOL e Rede. Diante dessa composição, a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) defende que a atuação digital venha acompanhada de diálogo com setores de centro e de direita para isolar o bolsonarismo em votações relevantes.
“Eu acho que é importante a gente trabalhar alguma centralização mínima”, disse Erika. Ela ressaltou que cada parlamentar mantém público e estilo próprios de comunicação, mas avaliou que uma organização será fundamental no próximo período.
Além de Cortez e Ana Júlia, o grupo inclui Ana Elisa (PT-MG), Pedro Rousseff (PT-MG), Giovana Mondardo (PCdoB-SC), Rosa Amorim (PT-PE), Luna Zarattini (PT-SP), Jones Manoel (PSOL-PE) e Rick Azevedo (PSOL-RJ), além de reeleitos como Dandara Tonantzin (PT-MG), Pedro Campos (PSB-PE) e Camila Jara (PT-MS).
Para Ana Júlia, a nova bancada reúne quadros formados em movimentos estudantis e sociais, câmaras municipais e assembleias legislativas. “Nós conseguimos, de fato, eleger uma bancada de juventude que conhece bem esse povo e como eles atuam, mas principalmente uma bancada de muito conteúdo”, afirmou.
O professor de Comunicação Política da PUC-Rio Arthur Ituassu avalia que a esquerda precisará manter a estrutura digital construída na eleição para sustentar influência fora dos períodos de campanha. “Tem que ter uma disputa constante de narrativas”, disse.
Cortez afirmou que o descontentamento de jovens com a política tradicional abre espaço para a extrema direita difundir “ideias atrasadas”. Para ele, a esquerda precisa apresentar respostas concretas: “Não basta estar certo”.