
O Banco Central classificou como secretos, pelo prazo de oito anos, os documentos ligados à liquidação extrajudicial do Banco Master. Na prática, o material fica restrito até novembro de 2033. A medida foi informada em resposta a um pedido de acesso feito com base na Lei de Acesso à Informação. As informações são da Folha de S.Paulo.
Na justificativa enviada, a autarquia afirmou que a divulgação imediata de documentos, processos e informações do caso iria contra o interesse público na preservação da estabilidade financeira, econômica e monetária do país. O órgão também sustentou que o acesso ao conteúdo pode comprometer atividades de inteligência, investigação e fiscalização relacionadas à prevenção ou repressão de infrações.
O pedido buscava notas técnicas, pareceres, estudos e levantamentos que embasaram a decisão do BC de decretar, em 18 de novembro de 2025, a liquidação extrajudicial do Banco Master e de outras empresas do conglomerado, além da imposição de Regime de Administração Especial Temporária ao Banco Master Múltiplo. Em 17 de março de 2026, o Banco Central informou a transformação do RAET do Master Múltiplo em liquidação extrajudicial.

Os registros públicos do próprio Banco Central mostram que o tema já constava no rol de informações secretas da autarquia. Entre os itens listados está o Voto 177/2025-BCB, que trata da liquidação extrajudicial do Banco Master S.A., do Banco Master de Investimento S.A., do Banco LetsBank S.A. e da Master S.A. Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários, além da imposição de RAET ao Banco Master Múltiplo.
A classificação adotada segue diretriz formal do Banco Central. Em despacho de 2018, assinado pelo então presidente Ilan Goldfajn, a autarquia fixou que votos da diretoria colegiada e materiais preparatórios sobre regimes de resolução podem receber grau de sigilo secreto por até oito anos no caso de instituições enquadradas no segmento S3 da regulação prudencial.
Na nota divulgada quando decretou o regime especial, o Banco Central informou que a medida foi motivada por grave crise de liquidez do conglomerado Master, comprometimento significativo da situação econômico-financeira e graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional. Naquele momento, o BC informou ainda que o grupo detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do sistema financeiro.