Banco Master pagou R$ 5,1 milhões a ex-presidente do BC, segundo Receita

Atualizado em 9 de abril de 2026 às 19:08
O economista Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central. Foto: Divulgação

O Banco Master declarou à Receita Federal ter pago R$ 5,125 milhões ao economista Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central, entre 2023 e 2025. As informações foram encaminhadas à CPI do Crime Organizado no Senado e indicam que os valores referem-se a serviços de consultoria prestados ao banco controlado por Daniel Vorcaro.

Loyola presidiu o Banco Central em dois períodos, entre 1992 e 1993, no governo Itamar Franco, e entre 1995 e 1997, durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso. No caso do Banco Master, sua atuação ocorreu por meio da empresa Gustavo Loyola Consultoria LTDA, na qual possui 99% de participação.

A consultoria teve início em meados de 2023, com pagamentos mensais de R$ 250 mil. Ao longo daquele ano, o economista recebeu R$ 1,25 milhão. Nos dois anos seguintes, os valores foram ampliados, chegando ao total de R$ 5,125 milhões em pouco mais de dois anos.

Ao Metrópoles, Loyola afirmou que sua atuação era voltada à análise de mercado. “Era um pouco isso, olhar as coisas de mercado. Não era uma coisa que avaliasse outros aspectos, a não ser oportunidades de mercado”, disse.

Fachada do Banco Master. Foto: Divulgação

Ele também confirmou participação em um comitê consultivo do banco ao lado de Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski. Segundo o economista, a função consistia em contribuir com avaliações macroeconômicas.

Os relatórios da Receita apontam ainda que o Banco Master declarou pagamentos a outras figuras públicas, como Antonio Rueda, presidente do União Brasil, familiares do governador Ratinho Jr. (PSD), o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) e ex-ministros como Guido Mantega, Fabio Wajngarten, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski.

Em 2025, enquanto mantinha vínculo com o banco, Loyola comentou a possível aquisição da instituição pelo BRB. Ele afirmou que informou previamente sua relação profissional ao conceder entrevista e negou conhecimento detalhado das operações.

“Eu nem sabia que o Master vendia carteira para o BRB. A única coisa que eu sabia é que essa operação estava sendo feita, de compra e venda, e que esse tipo de operação é muito comum.”, declarou.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.