
A Polícia Federal pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a suspeição do ministro Dias Toffoli como relator das investigações envolvendo o Banco Master. O pedido tem como base conversas encontradas no celular do empresário Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira, liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central. Fachin já intimou Toffoli a se manifestar.
A informação sobre os diálogos apreendidos foi revelada por Daniela Lima e Fabio Serapião, do Uol. A auxiliares, o ministro tem afirmado que não vê motivo para se afastar da relatoria. Em nota, o gabinete de Toffoli declarou que “o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações”.
A manifestação acrescenta que “juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte”.
Um pedido semelhante já havia sido encaminhado pela PF à Procuradoria-Geral da República (PGR), mas o procurador-geral, Paulo Gonet, não deu andamento à solicitação.

Ele já havia negado afastamento em requerimento semelhante apresentado por parlamentares de oposição. Na ocasião, Gonet afirmou que o caso do Banco Master “já é objeto de apuração perante o Supremo Tribunal Federal, com atuação regular da Procuradoria-Geral da República”. E concluiu: “não há qualquer providência a ser adotada no momento”.
Nos bastidores do STF, ministros avaliam que a prerrogativa para propor suspeição seria exclusiva da PGR, o que colocaria em dúvida a legitimidade da PF para formalizar o pedido. Ainda assim, Fachin determinou a notificação de Toffoli para que se pronuncie.
O ministro Gilmar Mendes manifestou apoio ao colega após a negativa da PGR. “A rigor, ele atendeu a todas as considerações da PF e da Procuradoria-Geral [da República]. Não há razão para qualquer questionamento sobre sua conduta”, afirmou à Folha.
Nas redes sociais, acrescentou que “em um Estado de Direito, a preservação do devido processo legal e a observância das garantias institucionais constituem condições essenciais para a estabilidade democrática e para a confiança da sociedade nas instituições”.
O ministro Dias Toffoli tem uma trajetória pública marcada pelo compromisso com a Constituição e com o funcionamento regular das instituições. No exercício da jurisdição, sua atuação observa os parâmetros do devido processo legal e foi objeto de apreciação da Procuradoria-Geral…
— Gilmar Mendes (@gilmarmendes) January 26, 2026
Toffoli enfrenta críticas pela condução do inquérito, especialmente pelo regime de sigilo adotado, pela viagem de jatinho com advogado do caso e por menções a negócios envolvendo familiares e fundo ligado ao Master. Integrantes do STF discutem a possibilidade de envio da investigação à primeira instância como alternativa, mas o ministro resiste.
Pelo Código de Processo Penal, há impedimento quando o juiz ou familiares são diretamente interessados na causa. Já a suspeição envolve critérios subjetivos, como amizade íntima ou aconselhamento às partes. Caso Toffoli se declarasse suspeito ou impedido, todas as decisões já tomadas seriam anuladas e o processo recomeçaria.