
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi acionado pelo senador Eduardo Girão (Novo) para avaliar a atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, como relator do inquérito que investiga supostas fraudes envolvendo o Banco Master.
A representação pede que a PGR analise a existência de conflito de interesses e eventual suspeição do ministro para conduzir o caso. O pedido foi protocolado na semana passada e solicita uma manifestação formal da Procuradoria perante o Supremo.
Até o momento, a PGR não se manifestou oficialmente sobre a representação nem indicou se pretende levar ao plenário do STF um pedido de arguição de suspeição contra Toffoli.
No documento, Girão sustenta que relações comerciais envolvendo familiares e pessoas próximas ao ministro com personagens ligados ao Banco Master poderiam configurar situação de conflito de interesses. Segundo o senador, mesmo sem participação direta de Toffoli nos negócios, o contexto exigiria seu afastamento do processo.
CONFLITO DE INTERESSE DEVE SER APURADO IMEDIATAMENTE #acordasenado 🇧🇷
Não somos a república do segredismo! E doa a quem doer não fugirei de meu dever no @senadofederal ! Temos visto um horroroso festival de sigilos virarem rotina no Gov Lula e STF . Prendem e soltam -a quem… pic.twitter.com/v73Wg38Opt
— Eduardo Girão (@EduGiraoOficial) January 15, 2026
“O contexto se torna ainda mais delicado quando consideramos que familiares próximos do Ministro Toffoli e pessoas de seu círculo íntimo mantêm relações comerciais com possíveis envolvidos no escândalo do Banco Master. Tais circunstâncias levantam questões inevitáveis sobre imparcialidade judicial e conflito de interesses, princípios fundamentais do Estado de Direito”, afirma a representação.
O senador baseia o pedido em reportagem da Folha de S.Paulo sobre a relação de empresas ligadas a parentes de Toffoli com o fundo Reag, citado em apurações sobre fraudes envolvendo o banco. A peça também menciona que legislação e jurisprudência do STF impõem aos magistrados o dever de se declarar impedidos ou suspeitos quando houver risco à neutralidade.
A representação questiona ainda decisões tomadas por Toffoli no curso da investigação, entre elas a determinação para que materiais apreendidos fossem enviados lacrados ao STF, sob custódia da Corte, o que inicialmente limitou o acesso da Polícia Federal às provas.
“Em especial, chama atenção a determinação do Ministro Dias Toffoli tomada no dia 14/01/2026, na nova fase da Operação Compliance Zero, de que materiais lacrados apreendidos em investigação federal sejam remetidos diretamente ao STF”, diz o documento.
Após esse episódio, senadores apresentaram pedido de impeachment contra o ministro, alegando possível crime de responsabilidade. O Senado também criou um grupo de acompanhamento do caso Master para fiscalizar a atuação do Banco Central, da Polícia Federal e do próprio STF.