Bancos defendem Pix e dizem que EUA entenderam sistema de forma errada

Atualizado em 2 de junho de 2026 às 22:31
Pix
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

A Federação Brasileira de Bancos saiu em defesa do Pix nesta terça-feira (2), depois que o sistema de pagamentos instantâneos foi citado em uma investigação comercial dos Estados Unidos que pode resultar em tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A Febraban afirmou que o funcionamento do Pix foi interpretado de forma equivocada pelo governo Donald Trump.

Na visão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o Pix poderia representar uma vantagem “injusta” por favorecer um sistema estatal em detrimento de empresas privadas de pagamentos. A decisão final sobre eventual tarifa contra o Brasil pode sair até 15 de julho.

A Febraban afirmou que o Pix não é um produto comercial, mas uma infraestrutura de pagamentos criada pelo Banco Central para ampliar a concorrência, facilitar transações financeiras e melhorar o funcionamento da atividade econômica. Para a entidade, as avaliações dos Estados Unidos precisam de esclarecimentos adicionais.

Segundo a federação, o sistema brasileiro opera em modelo aberto e não discriminatório. Bancos, fintechs e instituições financeiras nacionais e estrangeiras podem participar, desde que atuem no Brasil e sigam as regras do Banco Central, já que o Pix é um meio de pagamento local e funciona em reais.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Daniel Torok/Casa Branca

A entidade também destacou que o Pix foi desenvolvido com participação dos bancos e demais instituições financeiras do país. O serviço é gratuito para pessoas físicas, mas pode ser cobrado de empresas, sem diferenciação entre companhias nacionais e estrangeiras.

A investigação estadunidense foi aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, usada por Washington para apurar práticas consideradas prejudiciais aos seus interesses comerciais. Além do Pix, o relatório cita temas como pagamentos digitais, desmatamento ilegal, pirataria, corrupção e propriedade intelectual.

A Febraban afirmou esperar que as contribuições do Banco Central e de integrantes do sistema financeiro brasileiro, incluindo bancos dos Estados Unidos, ajudem a esclarecer o funcionamento do Pix no processo de consulta pública conduzido pelo órgão comercial estadunidense.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!