Band é denunciada ao Sindicato dos Jornalistas por assédio moral

Atualizado em 2 de março de 2026 às 20:14
Sede da TV Band em São Paulo. Foto: reprodução

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) denunciou a existência de práticas de assédio moral no ambiente de trabalho da TV Bandeirantes e criticou a negativa da empresa em autorizar a entrada de representantes da entidade na redação para dialogar com os profissionais.

De acordo com comunicado divulgado pelo Sindicato, a entidade recebeu, por meio de seu Canal de Denúncias, “reclamações da categoria sobre práticas de assédio moral no ambiente de trabalho da TV Bandeirantes”. Após o recebimento das queixas, a empresa foi formalmente oficiada e, no dia 19 de fevereiro, houve uma reunião para tratar do tema.

Na ocasião, representantes do SJSP, incluindo integrantes do Grupo de Trabalho de Combate ao Assédio, explicaram à empresa que o assédio moral “além de ferir sua dignidade, coloca em risco a saúde do(a) trabalhador(a)” e destacaram que essa prática “deve ser combatida e evitada de todas as formas para não se tornar uma forma de gestão organizacional”.

O Sindicato informou que solicitou celeridade na liberação de acesso à redação para conversar diretamente com os jornalistas e orientar a categoria sobre medidas de prevenção e enfrentamento ao assédio.

No entanto, segundo o comunicado, a empresa respondeu que coloca à disposição “os canais formais da empresa para recebimento de informações que permitam a apuração responsável de eventuais ocorrências” e que o Sindicato não teria apresentado dados suficientes que possibilitassem a análise das denúncias.

Ainda conforme o SJSP, a emissora afirmou estar aberta a discutir “alternativas de abordagem preventiva sobre o tema, inclusive com participação das áreas de Compliance e Recursos Humanos”, mas não autorizou a entrada dos representantes sindicais na redação. Para o Sindicato, ao “fazer rodeios”, a empresa acabou se negando a permitir o contato direto com os profissionais.

A entidade ressaltou que seu Canal de Denúncias é um “mecanismo institucional do SJSP, independente, totalmente seguro e sigiloso”, com protocolo que preserva a identidade dos denunciantes.

No comunicado, o Sindicato também citou a Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que reconhece o direito de todas as pessoas a um ambiente de trabalho livre de violência e assédio e considera que a ausência dessa garantia configura violação de direitos humanos.

O SJSP destacou que tem ampliado esforços no combate ao assédio moral e sexual, inclusive durante a campanha salarial de rádio e TV encerrada na quinta-feira (26), quando foram incluídas na Convenção Coletiva de Trabalho cláusulas voltadas ao fortalecimento da denúncia, prevenção e enfrentamento dessas práticas.

Ao final, o Sindicato afirmou que repudia a negativa de entrada na redação e informou que cobrará da empresa as “alternativas” mencionadas para tratar da questão.

 

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.