Bastidores do Master: celular de Vorcaro menciona “autoridade da República” e alerta chega a ministros do STF

Atualizado em 8 de fevereiro de 2026 às 13:25
Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, falando, perto de painel com tons de laranja, sério, sem olhar para a câmera, de roupa social
Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master – Reprodução

As investigações sobre o caso Banco Master avançaram com a análise de celulares apreendidos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em um dos aparelhos, a Polícia Federal encontrou mensagens que fazem referência direta a uma “autoridade da República”, citada em cobranças relacionadas à liberação de pagamentos. O conteúdo passou a integrar o material examinado pelos investigadores.

Segundo apuração, uma das mensagens partiu do pastor Fabiano Zettel, apontado como operador de transações do grupo. Ele pressionava pela liberação de recursos sob a justificativa de estar sendo cobrado de forma insistente por essa autoridade. O teor da troca elevou o grau de sensibilidade do inquérito.

O avanço das apurações levou a um alerta informal a ministros do Supremo Tribunal Federal. Integrantes da Corte foram informados de que o desenrolar do caso Master pode atingir personagens com trânsito institucional relevante, ampliando o alcance político e institucional da investigação.

Nesse contexto, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República passaram a mirar com mais atenção a Maridt Participações, empresa que pertence oficialmente aos irmãos do ministro Dias Toffoli — o padre José Carlos Toffoli e o engenheiro José Eugênio Toffoli. A empresa foi sócia do resort Tayayá, um dos principais focos do inquérito, e vendeu sua participação no empreendimento em 2025.

Dias Toffoli, ministro do STF. Foto: reprodução

Investigadores buscam esclarecer se a Maridt prestava serviços de consultoria e se mantinha contratos de prestação de serviços com escritórios de advocacia, com pagamentos mensais recorrentes. Um dos pontos centrais da apuração é identificar a quem, exatamente, os valores recebidos pela empresa eram destinados.

O caso Tayayá também levou os investigadores a analisar a atuação de parentes do ministro, como um primo apontado como personagem-chave na estrutura do resort. A expectativa é que a quebra de sigilos e o cruzamento de dados financeiros e de comunicações ajudem a esclarecer a rede de relações empresariais e institucionais ligadas ao caso Master.