
O clima no hotel The Willard, a menos de dois quilômetros da Casa Branca, era de apreensão desde o início da manhã de terça-feira (26). Até poucas horas antes do encontro entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Donald Trump, ninguém no entorno do senador tratava a reunião como totalmente garantida.
Segundo o Globo, Flávio passou o dia recluso no hotel ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do blogueiro Paulo Figueiredo, um dos principais contatos do bolsonarismo com o trumpismo. Até o início da tarde, a agenda da Casa Branca não citava o senador brasileiro em nenhum compromisso oficial de Trump.
O receio do grupo era que mudanças nas negociações internacionais envolvendo o Irã derrubassem o encontro em cima da hora, apesar da pré-confirmação feita na véspera. Aliados chegaram a discutir internamente o desgaste político caso Flávio atravessasse o continente para tentar demonstrar força internacional e voltasse ao Brasil sem a foto ao lado do presidente estadunidense.
A confirmação definitiva veio apenas depois de novos contatos feitos por interlocutores ligados ao secretário de Estado, Marco Rubio. A articulação da agenda passou pelo entorno republicano próximo de Rubio e pela rede construída por Eduardo nos Estados Unidos desde o governo Jair Bolsonaro.
Segundo relatos feitos ao Globo, Eduardo e Paulo Figueiredo participaram rapidamente do encontro. Entraram, cumprimentaram Trump e deixaram a sala logo depois. A avaliação dentro do grupo era que a reunião precisava ter “cara de encontro presidencial” e concentrar o protagonismo em Flávio, que além da corrida eleitoral no Brasil, precisa desviar o foco da discussão sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

O senador levou uma camisa da seleção brasileira para presentear Trump, mas o plano não saiu como previsto. A peça ficou retida pela segurança da Casa Branca para procedimentos de inspeção e não pôde ser entregue diretamente ao presidente estadunidense. Auxiliares dizem que a camisa será liberada depois.
Já diante de Trump, Flávio ouviu Jair Bolsonaro virar assunto no início da conversa. O presidente estadunidense perguntou sobre a situação do ex-presidente brasileiro, quis saber detalhes da prisão domiciliar e questionou como a família estava lidando com o momento. Flávio transmitiu um abraço do pai a Trump.
Flávio ficou cerca de 1h40 na Casa Branca. Ao final, Trump entregou ao senador uma “challenge coin”, moeda simbólica tradicionalmente distribuída por presidentes estadunidenses a aliados, militares e convidados considerados próximos. O senador mostrou o item a aliados ainda dentro da Casa Branca e tratou o gesto como um sinal político importante.
Durante a coletiva após o encontro, Jason Miller, estrategista republicano ligado a Trump e um dos principais nomes da comunicação digital do trumpismo, apareceu rapidamente no local e cumprimentou Flávio. Miller mantém relação frequente com Eduardo e já participou de agendas políticas ligadas ao bolsonarismo no Brasil.
Na pré-campanha de Flávio, a avaliação é que a foto com Trump ajuda o senador a voltar ao Brasil com um gesto político de impacto após semanas de crise envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Aliados do PL veem a imagem como reforço da associação internacional de Flávio ao trumpismo, em meio ao avanço de discussões na direita sobre alternativas presidenciais, como Michelle Bolsonaro, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).
Flávio permanece em Washington até esta quarta-feira (27) e deve retornar ao Brasil na quinta (28). Na sexta-feira (29), o senador tem agenda prevista em Curitiba.