
Flávio Bolsonaro ignorou conselhos de aliados para tentar pacificar a relação com Michelle Bolsonaro antes da crise pública aberta pelo vídeo em que a ex-primeira-dama afirmou ter sido humilhada pelo enteado. A informação é da coluna de Malu Gaspar, do Globo.
Aliados já tentavam agir como bombeiros antes da gravação publicada por Michelle na quarta-feira (24). Entre os nomes que buscaram conter o desgaste estavam o deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, a senadora Damares Alves e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
A relação entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro já era marcada por desconfiança e ressentimento, mas a crise ganhou nova dimensão com a disputa em torno da aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará. Michelle criticou a articulação e disse ter sido tratada pelo senador como alguém sem experiência política.
🚨 BOMBA 🚨
Michelle Bolsonaro acaba de expor, num vídeo de 27 minutos, que Flávio Bolsonaro a atacou, maltratou, humilhou e excluiu como presidenta do PL Mulher.
Mas vale lembrar: o PL Mulher é uma das principais organizações que luta CONTRA os direitos das mulheres e meninas… pic.twitter.com/XiqbFZoaIn
— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) June 24, 2026
A avaliação de interlocutores do clã é que os filhos de Jair Bolsonaro passaram a se sentir ameaçados quando Michelle se consolidou como liderança dentro do PL. A ex-primeira-dama preside o PL Mulher e é vista como uma das poucas figuras capazes de ajudar a direita a disputar o voto feminino.
A tropa de choque de Flávio, por outro lado, passou a atribuir a reação de Michelle a ressentimento por ela ter sido preterida em articulações envolvendo uma eventual chapa com Tarcísio de Freitas. Nos bastidores, aliados do senador dizem que a prioridade de Jair Bolsonaro é eleger o filho para tentar aprovar uma anistia.
A crise preocupa o PL porque atinge justamente uma das principais fragilidades eleitorais de Flávio Bolsonaro. Na última pesquisa Datafolha, Lula tem vantagem entre as mulheres em um eventual segundo turno, enquanto o senador aparece melhor entre os homens.
O desgaste também compromete a narrativa de unidade familiar explorada pelo bolsonarismo. Um aliado resumiu o problema: como Flávio Bolsonaro tentará se apresentar como nome capaz de unir o país se não consegue pacificar a própria família.