Bastidores mostram tentativa frustrada de conter guerra entre Flávio Bolsonaro e Michelle

Atualizado em 27 de junho de 2026 às 17:29
Flávio Bolsonaro
Michelle Bolsonaro e seu enteado, o pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Wilton Junior/Estadão Contéudo

Flávio Bolsonaro ignorou conselhos de aliados para tentar pacificar a relação com Michelle Bolsonaro antes da crise pública aberta pelo vídeo em que a ex-primeira-dama afirmou ter sido humilhada pelo enteado. A informação é da coluna de Malu Gaspar, do Globo.

Aliados já tentavam agir como bombeiros antes da gravação publicada por Michelle na quarta-feira (24). Entre os nomes que buscaram conter o desgaste estavam o deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, a senadora Damares Alves e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

A relação entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro já era marcada por desconfiança e ressentimento, mas a crise ganhou nova dimensão com a disputa em torno da aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará. Michelle criticou a articulação e disse ter sido tratada pelo senador como alguém sem experiência política.

A avaliação de interlocutores do clã é que os filhos de Jair Bolsonaro passaram a se sentir ameaçados quando Michelle se consolidou como liderança dentro do PL. A ex-primeira-dama preside o PL Mulher e é vista como uma das poucas figuras capazes de ajudar a direita a disputar o voto feminino.

A tropa de choque de Flávio, por outro lado, passou a atribuir a reação de Michelle a ressentimento por ela ter sido preterida em articulações envolvendo uma eventual chapa com Tarcísio de Freitas. Nos bastidores, aliados do senador dizem que a prioridade de Jair Bolsonaro é eleger o filho para tentar aprovar uma anistia.

A crise preocupa o PL porque atinge justamente uma das principais fragilidades eleitorais de Flávio Bolsonaro. Na última pesquisa Datafolha, Lula tem vantagem entre as mulheres em um eventual segundo turno, enquanto o senador aparece melhor entre os homens.

O desgaste também compromete a narrativa de unidade familiar explorada pelo bolsonarismo. Um aliado resumiu o problema: como Flávio Bolsonaro tentará se apresentar como nome capaz de unir o país se não consegue pacificar a própria família.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!