Batalha de ofícios no STF expõe acusação de Moraes contra Mendonça

Atualizado em 12 de setembro de 2026 às 10:44
André Mendonça e Alexandre de Moraes. Foto: reprodução

O ministro Alexandre de Moraes acusou André Mendonça de direcionar a retirada de sigilos no caso Banco Master para proteger um “grupo político”, em ofício enviado na sexta-feira (11) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. A manifestação abriu uma sequência de comunicações formais entre integrantes da Corte sobre o acesso a documentos e provas das investigações.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a Fachin que retirasse o sigilo de todos os documentos ligados ao caso. Para o órgão, a liberação de apenas parte do material poderia “induzir à ideia equivocada de transparência”.

Fachin acolheu o pedido da PGR e deu 24 horas para Mendonça, relator das apurações, liberar a documentação. No início da noite, Mendonça retirou o sigilo de mais processos relacionados ao caso.

Segundo o g1, Moraes e o ministro Cristiano Zanin também enviaram ofícios à presidência do STF para pedir acesso a uma mídia específica das investigações. Eles afirmaram que o conteúdo seria necessário para a discussão prevista no plenário para a próxima terça-feira (15).

Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Foto: Reprodução

Mendonça afirma que celular de Vorcaro está sob custódia da PF

André Mendonça declarou que o celular do banqueiro Daniel Vorcaro, apreendido na investigação, não está em seu gabinete. Segundo o ministro, a Polícia Federal mantém o aparelho sob custódia, enquanto seu gabinete guarda somente uma cópia de segurança lacrada e criptografada.

Em outro ofício, Mendonça negou ter promovido uma retirada seletiva de sigilo. Ele sustentou que preservou procedimentos para não comprometer investigações em curso e para proteger dados pessoais de pessoas investigadas.

O ministro Gilmar Mendes pediu a Fachin que assumisse a condução do processo relativo ao relatório da Polícia Federal que revelou mensagens entre Moraes e Vorcaro. Zanin voltou a requerer acesso integral ao conteúdo extraído do celular do banqueiro.

Mendonça também defendeu a decisão de afastar preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. Ao final do dia, o relator liberou o sigilo de 18 processos e de outros 20 procedimentos, incluindo casos que envolvem Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Ciro Nogueira (PP-PI), Cláudio Castro (PL-RJ), Jaques Wagner (PT-BA) e Thiago Miranda.

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