Batata: síndrome do “idiota confiante” explica ascensão de Trump e Bolsonaro

Donald Trump e Jair Bolsonaro. Foto: Wikimedia Commons

Na Gazeta do Povo, o jornalista Sandro Moser fala do “efeito Dunning-Kruger” ou a síndrome do “idiota confiante”.

Trata-se do distúrbio cognitivo dos indivíduos que ignoram o limite da própria ignorância. O conceito foi criado em 1999 em um artigo publicado por dois psicólogos americanos da Universidade de Cornell, Justin Kruger e David Dunning.

“Os incompetentes são frequentemente abençoados com uma confiança inadequada, afiançada por alguma coisa que, para eles, parece conhecimento”, diz trecho do artigo.

O próprio Dunning já publicou no site Politico um texto em que sugere que sua teoria seria a chave para justificar a ascensão do candidato republicano Donald Trump à liderança das pesquisas na eleição presidencial americana de 2016.

No artigo, o pesquisador explica como Trump fala grosso, mas mostra desconhecimento completo sobre temas fundamentais do cargo que pleiteou, como o programa nuclear americano ou a política externa do país.

Dunning sugere que parte dos eleitores, em especial aqueles que enfrentam sofrimentos materiais e emocionais, gosta das bravatas de Trump, mas não reconhece suas gafes como erros porque não sabe que elas são erros.

O psicólogo Akim Rohula Neto observa que este tipo de “compromisso com o erro” é uma das marcas da sociedade contemporânea na qual “a opinião se tornou o valor maior”.

“A maior parte de nós faz generalizações sobre temas que não conhecemos nem de longe. Trocamos o conhecimento por uma opinião rasa que passa a ser o real para nós”.

Para Rohula Neto, em momentos eleitorais este efeito “se massifica” podendo justificar o destaque de líderes como Trump ou o ultraconservador deputado federal brasileiro Jair Bolsonaro (PP). (…)

“Quando um candidato sobe ao palanque, o compromisso dele não é com o realismo da proposta. Como líder, ele precisa cativar uma massa com a solução de um problema, pouco importa se ela é real. Sempre foi assim, seja o líder Lula, Stalin, Trump ou Bolsonaro”.

 

 

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