BBC orienta jornalistas a evitar termo “sequestro” ao relatar sequestro de Maduro

Atualizado em 5 de janeiro de 2026 às 15:18
Nicolás Maduro após sequestro dos EUA. Foto: Casa Branca

A BBC instruiu seus repórteres a não usar a palavra “sequestro” ao descrever o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos. A orientação consta em um e-mail interno revelado pelo comentarista Owen Jones, colaborador do jornal The National, que afirma ter recebido o conteúdo de um funcionário da emissora britânica.

Segundo o e-mail, a diretriz foi discutida em uma reunião interna diária da redação e busca “clareza e consistência” na cobertura dos acontecimentos na Venezuela. O texto estabelece que o termo “capturado” deve ser atribuído explicitamente à versão do governo norte-americano, enquanto “apreendido” pode ser usado pela própria BBC quando julgar adequado. O uso de “sequestrado” deve ser evitado.

A orientação contrasta com declarações públicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Questionado sobre a fala da presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, que classificou o episódio como um sequestro, Trump respondeu que o termo era aceitável e “não era ruim”.

Ao divulgar a mensagem nas redes sociais, Owen Jones afirmou que jornalistas da BBC foram proibidos de descrever Maduro como sequestrado. O historiador escocês William Dalrymple reagiu dizendo que a postura da emissora “desafia qualquer lógica”.

Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram levados por forças norte-americanas durante a operação. O Dicionário Oxford define “sequestro” como “levar uma pessoa à força de forma ilegal”.

O governo do Reino Unido evitou afirmar que a captura extrajudicial de Maduro violou o direito internacional. Já o secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou estar “profundamente preocupado” com o possível desrespeito às normas internacionais. Países como França, Brasil e Noruega afirmaram que os Estados Unidos infringiram a lei internacional.

Na Escócia, o primeiro-ministro John Swinney disse não ver como a operação poderia ser considerada legal.