
A BBC instruiu seus repórteres a não usar a palavra “sequestro” ao descrever o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos. A orientação consta em um e-mail interno revelado pelo comentarista Owen Jones, colaborador do jornal The National, que afirma ter recebido o conteúdo de um funcionário da emissora britânica.
Segundo o e-mail, a diretriz foi discutida em uma reunião interna diária da redação e busca “clareza e consistência” na cobertura dos acontecimentos na Venezuela. O texto estabelece que o termo “capturado” deve ser atribuído explicitamente à versão do governo norte-americano, enquanto “apreendido” pode ser usado pela própria BBC quando julgar adequado. O uso de “sequestrado” deve ser evitado.
BBC journalists have been banned from describing the kidnapped Venezuelan leader as having been kidnapped.
The BBC News Editor has sent this to BBC journalists. pic.twitter.com/jn9qQZkVAH
— Owen Jones (@owenjonesjourno) January 5, 2026
A orientação contrasta com declarações públicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Questionado sobre a fala da presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, que classificou o episódio como um sequestro, Trump respondeu que o termo era aceitável e “não era ruim”.
Ao divulgar a mensagem nas redes sociais, Owen Jones afirmou que jornalistas da BBC foram proibidos de descrever Maduro como sequestrado. O historiador escocês William Dalrymple reagiu dizendo que a postura da emissora “desafia qualquer lógica”.
Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram levados por forças norte-americanas durante a operação. O Dicionário Oxford define “sequestro” como “levar uma pessoa à força de forma ilegal”.
O governo do Reino Unido evitou afirmar que a captura extrajudicial de Maduro violou o direito internacional. Já o secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou estar “profundamente preocupado” com o possível desrespeito às normas internacionais. Países como França, Brasil e Noruega afirmaram que os Estados Unidos infringiram a lei internacional.
Na Escócia, o primeiro-ministro John Swinney disse não ver como a operação poderia ser considerada legal.