
Um levantamento feito pela Febraban aponta uma enxurrada de publicações nas redes sociais direcionando ataques ao Banco Central e a outras instituições envolvidas na liquidação do Banco Master. As postagens se concentraram em um período de cerca de 36 horas, nos últimos dias de dezembro, com número atípico de menções ao caso. Segundo o monitoramento, houve pico no dia 27 de dezembro, com milhares de publicações relacionadas ao tema. Com informações do Estadão.
As mensagens mencionavam o processo de liquidação do Banco Master, decretado pelo Banco Central em novembro do ano passado. Também foram citados nomes de autoridades do setor financeiro, incluindo integrantes do BC e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). O ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, Renato Dias Gomes, foi citado em várias dessas postagens.
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Paralelamente, influenciadores afirmam ter recebido propostas para publicar conteúdos em defesa do Banco Master e com críticas ao Banco Central. O vereador de Erechim (RS), Rony Gabriel (PL), declarou que foi procurado em dezembro por uma empresa que se apresentava como responsável por “gerenciamento de reputação para um grande executivo”. Segundo ele, havia previsão de contrato e pagamento em troca da produção dos vídeos.
Rony Gabriel disse que a proposta previa conteúdos com a narrativa de que o Banco Master seria vítima do Banco Central. Ele mencionou ainda que o acordo teria cláusula de confidencialidade e relatou que o valor oferecido seria, nas palavras dele, “uma boa grana”. Em vídeo publicado nas redes sociais, o vereador afirmou que recusou a oferta.
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A influenciadora Juliana Moreira Leite relatou situação semelhante. Ela declarou ter recebido proposta para produzir publicações em defesa do Banco Master e contra o Banco Central e disse que também optou por recusar. Em suas redes, agradeceu a Rony Gabriel pelo posicionamento público sobre o assunto.
O episódio ocorre no contexto da decretação da liquidação do Banco Master pelo Banco Master em novembro. De acordo com o BC, o crescimento acelerado do banco esteve associado à captação de recursos acima da média do mercado e à aquisição de ativos de baixa liquidez.
Relatórios de monitoramento mencionam que parte das publicações utilizou perfis com grande número de seguidores para ampliar o alcance das mensagens. As postagens circularam principalmente no Instagram, além de outras plataformas. Instituições citadas informaram que acompanham o conteúdo publicado e avaliam eventuais medidas cabíveis.
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A Febraban afirmou que realiza monitoramento periódico de redes sociais e identificou volume atípico de postagens relacionadas ao tema no fim de dezembro. Segundo a entidade, há análise em andamento para verificar se houve ataque coordenado e se o caso será encaminhado às autoridades competentes.