
A Federação Belga de Futebol afirmou neste domingo (5) estar “estarrecida” com a decisão da FIFA de liberar o atacante Folarin Balogun para disputar o confronto entre Estados Unidos e Bélgica pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, mesmo após o jogador ter sido expulso na partida anterior.
Balogun havia recebido cartão vermelho direto aos 64 minutos da vitória dos Estados Unidos sobre a Bósnia e Herzegovina, na fase anterior do torneio. Após recomendação do VAR, o árbitro brasileiro Raphael Claus revisou o lance no monitor e expulsou o atacante por pisar no tornozelo de Tarik Muharemović durante uma disputa de bola.
Pelas regras da competição, a punição implicaria suspensão automática para a partida seguinte. No entanto, a FIFA decidiu suspender os efeitos da sanção apenas um dia antes do duelo contra a Bélgica, tornando o jogador elegível para atuar.
Em comunicado oficial, a Federação Belga argumenta que a decisão contraria o próprio Código Disciplinar da FIFA e também o regulamento da Copa do Mundo de 2026.
Segundo a entidade, o artigo 66.4 do Código Disciplinar estabelece que um cartão vermelho resulta automaticamente em suspensão para a partida seguinte. O mesmo princípio também aparece no artigo 10.5 do regulamento da Copa, além de ter sido reforçado em uma circular enviada a todas as federações participantes antes do início do torneio.
“A Federação Real Belga de Futebol está surpresa com a decisão da FIFA de declarar o jogador dos Estados Unidos Folarin Balogun apto para disputar a partida. Para proteger os direitos de todas as seleções participantes e preservar os princípios do fair play, estamos avaliando todas as medidas possíveis”, afirmou a entidade.

A polêmica ganhou dimensão política após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, agradecer publicamente à FIFA pela decisão. Em publicação nas redes sociais, Trump comemorou a liberação do atacante e classificou a medida como a correção de uma “grande injustiça”.
FIFA cita exceção prevista no Código Disciplinar
Ao justificar a decisão, a FIFA recorreu ao artigo 27 de seu Código Disciplinar, que permite ao Comitê Disciplinar suspender total ou parcialmente a execução de uma sanção.
A entidade já havia adotado interpretação semelhante antes do Mundial ao reduzir a suspensão do português Cristiano Ronaldo, que cumpria punição por um cartão vermelho recebido nas Eliminatórias. Na ocasião, a FIFA suspendeu os dois últimos jogos da penalidade, permitindo que o atacante disputasse normalmente a Copa do Mundo.
Uso do VAR também é questionado
Outro ponto levantado após a expulsão envolve o protocolo do árbitro de vídeo. As diretrizes da FIFA determinam que replays em velocidade normal devem ser utilizados para avaliar a intensidade de uma infração.
No entanto, Raphael Claus teria recebido apenas imagens em câmera lenta antes de mudar sua decisão inicial — quando sequer havia advertido Balogun — para a expulsão direta.
A Bélgica agora estuda apresentar uma reclamação formal à FIFA, sustentando que a liberação do atacante viola regras expressas da competição e cria um precedente que pode afetar a credibilidade do torneio.