Bilionário dos Emirados envia carta a Trump e questiona autoridade sobre guerra contra o Irã

Atualizado em 6 de março de 2026 às 7:48
Montagem de fotos de Khalaf Ahmad Al Habtoor e Donald Trump
O empresário Khalaf Ahmad Al Habtoor e Donald Trump, presidente dos EUA – Reprodução

O bilionário dos Emirados Árabes Unidos Khalaf Ahmad Al Habtoor publicou nesta quinta-feira (5) uma carta aberta dirigida ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com críticas à condução da política americana em relação ao Irã.

No texto, o empresário questiona a legitimidade de decisões que envolvem a região do Golfo e pergunta diretamente ao presidente norte-americano: “Quem lhe deu autoridade para arrastar nossa região para uma guerra com o Irã? Quem lhe deu permissão para transformar nossa região em um campo de batalha?”.

Na carta, Al Habtoor afirma que os países do Golfo não foram consultados sobre decisões que podem afetar diretamente sua segurança e suas economias. O empresário menciona que os Estados que integram o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) se encontram geograficamente próximos das áreas de tensão e, por isso, estão entre os primeiros a sentir os impactos de eventuais confrontos militares.

O bilionário também faz referência às iniciativas de paz anunciadas anteriormente pelos Estados Unidos e afirma que esses compromissos não se concretizaram. Em um dos trechos do documento, ele afirma que as promessas diplomáticas “foram tinta que secou antes mesmo de serem cumpridas”.

Outro ponto da carta trata da possibilidade de influência externa nas decisões americanas sobre o conflito com o Irã. Al Habtoor menciona o governo de Israel e questiona se as decisões que levaram à escalada militar teriam sido tomadas sob pressão de aliados regionais, sem considerar os efeitos diretos sobre os países do Golfo.

O empresário também cita riscos para infraestrutura energética, mercados financeiros e rotas comerciais do Oriente Médio caso o confronto militar se intensifique. Segundo ele, a região abriga instalações estratégicas e ativos internacionais que poderiam ser afetados por ataques ou retaliações em caso de ampliação do conflito.

Ao final da carta, Al Habtoor afirma que decisões sobre guerra e paz têm consequências globais e defende que a liderança internacional deve considerar a soberania dos países diretamente afetados. O documento foi publicado nas redes sociais do empresário e circulou entre analistas e autoridades do Oriente Médio ao longo desta quinta-feira (5).

Confira os pontos destacados por Khalaf Ahmad Al Habtoor:

  • Essa foi uma decisão sua ou resultado de pressão de Netanyahu?
  • Você calculou os danos colaterais antes de ordenar o ataque?
  • Você colocou os países do Conselho de Cooperação do Golfo no centro de um perigo que eles não escolheram.
  • Suas iniciativas do “Conselho da Paz” foram financiadas por países do Golfo. Agora estamos sendo atacados. Para onde foi esse dinheiro?
  • Você prometeu não iniciar guerras. Mesmo assim, realizou operações em 7 países: Somália, Iraque, Iêmen, Nigéria, Síria, Irã e Venezuela.
  • 658 ataques aéreos no seu primeiro ano de volta ao poder — o mesmo número de todo o mandato de Biden, que você criticou.
  • A guerra custa entre US$ 40 bilhões e US$ 65 bilhões em operações militares e pode chegar a US$ 210 bilhões no total.
  • Sua taxa de aprovação caiu 9% em 400 dias.
  • Os americanos receberam a promessa de paz. Estão recebendo guerra financiada com seus impostos.

Quem é Khalaf Ahmad Al Habtoor

Khalaf Ahmad Al Habtoor é um empresário bilionário dos Emirados Árabes Unidos e presidente do conglomerado Al Habtoor Group, um dos maiores grupos privados do país.

Ele nasceu em 1949, em Dubai, antes do boom econômico provocado pelo petróleo. Começou a trabalhar ainda jovem no comércio e, nos anos 1970, fundou a empresa que se tornaria o Al Habtoor Group.

A fortuna do empresário é estimada em bilhões de dólares, com base nos ativos imobiliários, hotéis e investimentos globais controlados pelo Grupo.

Jessica Alexandrino
Jessica Alexandrino é jornalista e trabalha no DCM desde 2022. Sempre gostou muito de escrever e decidiu que profissão queria seguir antes mesmo de ingressar no Ensino Médio. Tem passagens por outros portais de notícias e emissoras de TV, mas nas horas vagas gosta de viajar, assistir novelas e jogar tênis.