Bispo pede em oração que comunismo não chegue ao Brasil em evento pró-Bolsonaro

Atualizado em 31 de agosto de 2025 às 14:00
Bispo Dom Adair. Foto:Reprodução

Às vésperas do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), o bispo da Diocese de Formosa (GO), Dom Adair José Guimarães, chamou atenção durante o evento religioso Desperta Brasil, realizado neste sábado (30) em Brasília. Em uma oração pública, o religioso pediu que o comunismo não chegue ao Brasil, associando a invocação à intercessão de Nossa Senhora Aparecida.

Dom Adair esteve acompanhado do frei Gilson Azevedo, ambos apoiadores declarados de Bolsonaro. Diante dos fiéis, o bispo afirmou: “Pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, venha sobre vós a bênção que nos impede de ter fome, guerra, doença e o comunismo”. A declaração foi registrada em vídeo e circulou rapidamente nas redes sociais.

Antes desse momento, o bispo já havia direcionado sua fala à esperança dos brasileiros, ressaltando a importância de mantê-la viva diante do que considera agressões à dignidade humana. Segundo ele, “o país precisa acreditar que Deus derramará o Espírito Santo sobre o Brasil” em meio ao atual cenário político.

O discurso ocorreu em um contexto de forte mobilização de apoiadores de Bolsonaro, que aguardam o início do julgamento marcado para terça-feira (2), quando a Primeira Turma do STF analisará a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o ex-presidente e outros sete réus pelo suposto envolvimento em tentativa de golpe de Estado.

O evento Desperta Brasil reuniu religiosos, fiéis e lideranças políticas simpáticas ao bolsonarismo, em um encontro marcado por orações, cantos e declarações públicas contra o que classificaram como ameaças à liberdade e à fé cristã no país. O uso de termos como “comunismo” reforçou o tom político-ideológico que permeou a celebração.

A fala de Dom Adair Guimarães repercutiu de forma intensa nas redes sociais, dividindo opiniões. Enquanto apoiadores de Bolsonaro exaltaram a atitude do bispo, críticos apontaram uma politização do discurso religioso em um momento de tensão nacional, a poucos dias de um dos julgamentos mais aguardados da história recente.