“Para onde vamos?”: ex-presidente da Fifa detona entidade durante a Copa

Atualizado em 17 de julho de 2026 às 13:41
O ex-presidente da Fifa Joseph Blatter. Foto: Divulgação

Joseph Blatter, ex-presidente da Fifa, voltou a criticar a entidade nesta sexta-feira (17) por causa do show de intervalo previsto para a final da Copa do Mundo, que deve ampliar o descanso regulamentar de 15 minutos para quase meia hora.

Em publicação no X, Blatter comparou a decisão ao modelo do Super Bowl, final da liga de futebol americano dos Estados Unidos, conhecida por atrações musicais no intervalo. “As pausas de hidratação foram apenas o começo. No domingo, a final da Copa do Mundo verá o destaque do torneio — o intervalo mais longo da história do futebol. A final da Copa do Mundo como uma cópia do Super Bowl. Para onde estamos indo, Fifa?”, escreveu.

A programação musical da final tem nomes como Justin Bieber, Shakira, Madonna, BTS e Coldplay entre as atrações previstas. A crítica de Blatter mira a alteração prática no tempo de descanso dos jogadores e a aproximação do evento com um formato de entretenimento típico do esporte norte-americano.

O ex-dirigente também atacou a reversão da suspensão do atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos. O jogador recebeu cartão vermelho do árbitro brasileiro Raphael Claus por um pisão no defensor Muharemovic, da Bósnia, durante a segunda fase da Copa.

Depois da expulsão, Balogun acabou liberado para disputar a partida seguinte, contra a Bélgica, após interferência de Donald Trump e do governo estadunidense. A seleção dos Estados Unidos entrou em campo com o atacante, mas acabou eliminada.

Blatter afirmou que punições disciplinares no futebol não podem depender de pressões políticas. “Cartões vermelhos não são revertidos por ligações políticas. Eles são revertidos por regras, evidências e órgãos independentes. Se um presidente dos EUA intervém com o Presidente da Fifa — e um jogador é subitamente absolvido antes de uma partida eliminatória da Copa do Mundo —, a questão é inevitável: Para onde estamos indo, Fifa? O futebol nunca deve se tornar um playground para o poder político.”

Outro episódio citado pelo ex-presidente envolve o árbitro somali Omar Artan, escalado pela Fifa para atuar na Copa. O governo americano barrou sua entrada no país, e ele ficou fora do Mundial.

Blatter cobrou da organização da Copa garantias para participantes credenciados. “Um país anfitrião da Copa do Mundo da Fifa deve garantir dois princípios fundamentais: a segurança do país — e a entrada irrestrita de todas as equipes, árbitros e juízes qualificados. O caso do árbitro Omar Artan, da Somália, vai contra uma dessas obrigações. A Fifa nunca deve comprometer a universalidade do futebol.”

Blatter presidiu a Fifa de 1998 a 2015, quando deixou o cargo em meio a uma investigação sobre corrupção. Gianni Infantino o sucedeu na entidade e segue no comando da federação internacional.

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