“Block no Tigrinho”: campanha reúne gigantes da MPB contra bets

Atualizado em 2 de junho de 2026 às 22:49
Block no Tigrinho
Site da campanha “Dê block no Tigrinho”. Foto: Reprodução

Uma campanha contra as bets e o chamado “jogo do tigrinho” ganhou força nas redes sociais nos últimos dias com apoio de artistas, atores, músicos e influenciadores. Batizada de “Dê Block no Tigrinho”, a iniciativa lançou um vídeo com nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan, Chico Buarque, Marieta Severo, Paulinho da Viola, Camila Pitanga, Alinne Moraes, Emicida, Letícia Sabatella, Sandra de Sá e outros artistas.

O movimento afirma que as apostas online se transformaram em um problema de saúde pública, com impacto sobre famílias endividadas, pessoas em sofrimento e usuários em situação de dependência. No site oficial, a campanha se apresenta como “um movimento pelo fim do bet predatório no Brasil” e convoca pessoas com alcance nas redes a somarem seguidores contra o avanço das plataformas.

A página da campanha também divulga números sobre o impacto das bets no país. Entre os dados apresentados estão 1,8 milhão de brasileiros endividados por apostas em 2024, R$ 143 bilhões retirados do varejo entre 2023 e 2026 e 1,4 milhão de pessoas com transtornos associados a apostas online.

A adesão de nomes históricos da cultura brasileira amplia a pressão pública contra a publicidade de bets, alvo de críticas pelo uso de celebridades, influenciadores e promessas de ganho fácil. A campanha tenta deslocar o debate do campo individual para o impacto coletivo das plataformas sobre renda, consumo, saúde mental e vida familiar.

Anitta também entrou na discussão sobre o tema. A cantora criticou recentemente o avanço das casas de apostas no Brasil, afirmou que as bets estão afetando famílias mais vulneráveis e defendeu restrições à publicidade do setor. Publicações nas redes também registram a artista entre os nomes que ajudaram a impulsionar a campanha.

No site oficial, a iniciativa afirma que 86% das pessoas veem as bets como nocivas, 70% concordam com a proibição total e 76% defendem a limitação da publicidade. A campanha também oferece materiais digitais para que apoiadores repliquem a mensagem nas redes.

A mobilização ocorre em meio ao aumento da pressão política e social sobre o mercado de apostas no Brasil. Nos últimos anos, o “jogo do tigrinho” virou símbolo de plataformas que prometem lucro rápido, atraem usuários por meio de influenciadores e aparecem associadas a denúncias de endividamento, vício e fraudes.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política e estagiária pelo Diário do Centro do Mundo. Adoro ciclismo, e busco estudar sobre mobilidade urbana e políticas públicas.