Bloodline: a família modelo dissecada. Por Luísa Gadelha

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A família Rayburn é um exemplo para a sociedade: numa cidadezinha paradisíaca da Flórida, o casal Rayburn administra uma pousada litorânea, promovendo festividades e atividades de veraneio para turistas desocupados. Dos quatro filhos do casal, os três que vivem na cidade são bem-sucedidos e de boa reputação: John, pai de família e sensato, é detetive no departamento de polícia local; Kevin, praieiro e um pouco esquentado, administra barcos; e Meg, a mais jovem, é uma advogada de futuro promissor.

A família perfeita parece ruir com o reaparecimento do filho pródigo, Danny – numa interpretação impetuosa e intensa do ator australiano Ben Mendelsohn –, a “ovelha negra” da família, o garoto que nunca deu certo, que volta à cidade natal para desenterrar velhos segredos e traumas dos Rayburn. Uma incógnita, o espectador não sabe se Danny é mocinho ou vilão: ele está lá para atormentar a família ou é vítima dela? Até onde é verdadeira a imagem imaculada do casal Rayburn e seus três filhos exemplares?

Por outro lado, a presença inconveniente e incômoda de Danny revolve a família modelo, a faz lembrar do passado e de uma época que deveria ter ficado apenas na memória. Por fim, o retorno de Danny ocasiona um inesperado crime, que colocará em xeque a lealdade familiar.

Não só os Rayburn não são impecáveis, como a praia não é inteiramente paradisíaca: a trama da família se confunde com uma rede tráfico de drogas e a utilização da praia para trazer imigrantes ilegais da América latina.

Mais uma produção exclusiva da Netflix, juntamente com séries de sucesso como House of Cards, Orange Is The New Black e Better Call Saul, Bloodline tem um roteiro impecável, daqueles que prendem o espectador desde o primeiro episódio, onde o impensável crime é revelado, mas não os motivos que levaram a ele. Até lá, acompanhamos a trajetória agonizante dos membros da família Rayburn, que parece prestes a se despedaçar a qualquer momento.

A segunda temporada acaba de estrear na Netflix e mantém o ritmo aflito da primeira (de 2015), com reviravoltas e surpresas decorrentes dos atos irrefletidos dos irmãos Rayburn.

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