BNDES estuda suspensão de dívidas de empresas afetadas por tarifaço, diz Mercadante

Atualizado em 29 de agosto de 2025 às 10:42
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante. Foto: Reprodução

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou nesta quinta-feira (28) que o banco estuda a possibilidade de suspender temporariamente o pagamento das dívidas de empresas impactadas pelo “tarifaço” de 50% imposto pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros.

“Essa medida não está tomada, mas estou dizendo que acho que ela será necessária”, declarou Mercadante durante encontro com a Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP).

A medida, chamada de standstill, prevê a interrupção temporária do pagamento das dívidas das empresas mais prejudicadas pelas tarifas. Segundo Mercadante, a ideia ainda será levada ao governo federal e ao Ministério da Fazenda, e não há prazo para sua adoção.

Ele explicou que a suspensão pode ser especialmente importante para pequenos empresários cujos produtos não podem ser adquiridos por meio de compras públicas. “Isso aqui surgiu hoje. Eu estou chamando a atenção que no Rio Grande do Sul foi necessário. Talvez em algumas situações [do ‘tarifaço’] venha a ser necessário”, disse.

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O presidente do BNDES destacou que o tema foi discutido em reunião com prefeitos das 15 cidades mais afetadas pelas tarifas americanas. Segundo ele, o banco de fomento deve trabalhar junto à Fazenda e às instituições financeiras para avaliar a viabilidade da proposta.

“Nós vamos ter que estudar junto com a Fazenda, com os bancos. Mas em alguns complexos regionais, especialmente em produtos perecíveis, enquanto as compras públicas não estiverem implantadas, talvez a gente tenha que tomar essa medida”, afirmou.

Mercadante também aproveitou para criticar governadores que se opuseram ao pacote de ajuda anunciado pelo governo federal às empresas atingidas.

“Alguns governadores de estados exportadores deviam estar fazendo o que os prefeitos estão fazendo. Precisa ter esse tipo de atitude, de construção, de buscar respostas e soluções e de parceria com o governo federal”, declarou, sem citar nomes.