BNDES investe R$ 150 milhões em recuperação da Mata Atlântica

Atualizado em 2 de março de 2026 às 18:59
Mata Atlântica. Foto: Divulgação

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinou, nesta segunda-feira (2), um contrato de financiamento no valor de R$ 151,8 milhões com a empresa Tree Agroflorestal S.A. (Tree+), destinado à restauração ecológica de 15 mil hectares de áreas degradadas no bioma Mata Atlântica.

O projeto, que será realizado com recursos do Fundo Clima – Florestas Nativas e Recursos Hídricos, terá como foco o plantio e regeneração de vegetação nativa, visando a recuperação ambiental e a promoção de um desenvolvimento sustentável na região.

A Tree+ atuará inicialmente no Norte Fluminense, abrangendo os municípios de Campos dos Goytacazes, São Francisco de Itabapoana e Quissamã, com possibilidades de expandir para o sul do Espírito Santo e a Zona da Mata Mineira.

O projeto está alinhado ao objetivo de fortalecer a conectividade ecológica regional, ajudando a recompor fragmentos florestais e restaurar habitats naturais. Desde 2025, a Tree+ já recuperou cerca de 2 mil hectares na região.

A restauração será realizada em Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reservas Legais (RLs) e outras áreas adicionais voluntárias, sempre em conformidade com o Código Florestal e a Lei da Mata Atlântica.

A abordagem adotada será a utilização exclusiva de espécies nativas do bioma, com o intuito de promover a recuperação dos ecossistemas e o retorno gradual da fauna silvestre.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou a importância do projeto para a agenda climática do Brasil, enfatizando que a restauração da Mata Atlântica é uma prioridade para o governo Lula, que busca reduzir o desmatamento e fortalecer as ações de preservação.

“A Mata Atlântica é um dos biomas mais ricos e, ao mesmo tempo, mais degradados do país. Apoiar projetos de recuperação em escala é essencial para proteger a biodiversidade, enfrentar eventos climáticos extremos e gerar emprego e renda nos territórios”, afirmou Mercadante.

A Mata Atlântica, que abriga cerca de 20 mil espécies vegetais, aproximadamente 35% das espécies brasileiras, é o bioma com menor cobertura vegetal remanescente no país. O Norte Fluminense é uma das regiões mais afetadas, apresentando um cenário crítico de degradação.

Mata Atlântica. Foto: Divulgação

A recuperação das áreas degradadas terá benefícios a longo prazo, como a melhoria das condições do solo, o aumento da infiltração e o armazenamento de água, além de reduzir alagamentos e processos erosivos. Além dos ganhos ambientais, o projeto trará impactos socioeconômicos significativos.

Estima-se que mais de 800 empregos diretos e indiretos serão gerados durante a fase de implantação, com foco em atividades de campo, viveiros, coleta de sementes, manutenção florestal e serviços técnicos especializados. A Tree+ também comprometeu-se com a inclusão de mulheres, promovendo capacitação profissional e incentivando o empreendedorismo local.

A certificação de créditos de carbono será uma das estratégias utilizadas no projeto, associando a recuperação florestal à remoção de gases de efeito estufa e gerando novas receitas através de serviços ambientais.

Além disso, o projeto contribui para o cumprimento de vários Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), como água (ODS 6), ação climática (ODS 13) e vida terrestre (ODS 15). Tereza Campello, diretora Socioambiental do BNDES, ressaltou a importância dessa iniciativa para o fortalecimento das economias locais e para a redução da vulnerabilidade climática.

“A restauração florestal é uma política pública estratégica. Ela recupera o meio ambiente, gera trabalho, fortalece economias locais e reduz a vulnerabilidade climática”, afirmou a diretora.

Ela também destacou que o apoio a projetos como esse ajuda a diversificar a economia da região e a construir uma trajetória de desenvolvimento sustentável. O financiamento faz parte da estratégia BNDES Florestas, que visa impulsionar a restauração florestal e a bioeconomia de espécies nativas em larga escala.

O BNDES já mobilizou mais de R$ 7 bilhões desde 2023 para a conservação e a restauração de florestas no Brasil, através de crédito, garantias e apoio produtivo. O projeto também está alinhado ao Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

O Fundo Clima, operado pelo BNDES, é um dos principais instrumentos da Política Nacional sobre Mudança do Clima. Ele apoia projetos voltados à mitigação e adaptação climática, à conservação de florestas e à segurança hídrica, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e a transição para uma economia de baixo carbono.