
O deputado federal bolsonarista Evair de Melo (Republicanos-ES) zombou, nesta terça-feira (07), do alerta do Itamaraty sobre riscos de uma eventual ação militar dos Estados Unidos contra o Brasil após Washington enquadrar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Ao ouvir a referência ao documento do chanceler Mauro Vieira, o parlamentar reagiu: “Tá com medinho?”.
Transmissões institucionais da Câmara dos Deputados registraram a fala durante uma conversa informal de Evair com os deputados Alberto Fraga (PL-DF) e Coronel Chrisóstomo (PL-RO), antes de uma coletiva de imprensa. Fraga resumiu o teor do ofício enviado pelo Itamaraty e disse que Vieira apontava como principal risco uma possível “invasão militar no Brasil”.
Na entrevista coletiva posterior, Evair ampliou as críticas ao Ministério das Relações Exteriores e classificou a manifestação como “precária e frágil”. O deputado também afirmou que Mauro Vieira seria “muitas vezes uma peça meramente decorativa no Itamaraty”.
A resposta do chanceler chegou ao Legislativo após um requerimento de informações apresentado pelo próprio Evair de Melo, identificado como Requerimento de Informação nº 1.012/2026. O parlamentar afirmou que havia pedido apenas “informações objetivas” e acusou o Itamaraty de dar uma resposta política ao tema.
Veja o momento da fala:
Documento do Itamaraty cita efeitos extraterritoriais da medida
Mauro Vieira sustentou no documento que a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos poderia abrir espaço para medidas unilaterais com impacto sobre o Brasil. O chanceler citou a possibilidade de medidas administrativas e judiciais de caráter extraterritorial, com consequências nas áreas financeira, migratória e penal.
O Itamaraty também alertou que a decisão norte-americana poderia, em tese, servir de justificativa para ações de força contra o território brasileiro. “O enquadramento como organização criminosa transnacional já permite a cooperação internacional necessária no combate ao crime organizado”, afirmou o ministério na resposta enviada ao Legislativo.
No mesmo dia, o Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou como “absurda” a avaliação brasileira sobre a possibilidade de ação militar. Washington afirmou que age dentro de suas prerrogativas para combater grupos considerados “narcoterroristas” e declarou que as facções brasileiras teriam atuação em território americano.
A tensão diplomática começou após o Departamento de Estado anunciar, em maio, a classificação do PCC e do Comando Vermelho como “Terroristas Globais Especialmente Designados”. A designação como Organizações Terroristas Estrangeiras entrou em vigor em junho, em decisão assinada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.