Bolsonarista desiste do comando da Câmara após derrota de Flávio

Atualizado em 27 de outubro de 2026 às 15:44
Sóstenes foi o único deputado a apresentar apoio a PEC pelo fim da 6X1, se tornando o único entre os bolsonaristas.
O deputado federal e líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, desistiu de disputar a presidência da Casa após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Lula (PT) no domingo (25). O deputado afirmou que sua candidatura dependia da vitória do senador, segundo a Folha de S.Paulo.

“Eu sempre falei que seria presidente da Câmara se o Flávio ganhasse. Não tenho interesse em ser candidato com Lula”, declarou. Ele disse que reunirá a bancada na próxima semana para discutir a posição do partido na eleição para o comando da Casa.

O PL decidirá se apoia a recondução de Hugo Motta (Republicanos) ou busca outro candidato. A sigla elegeu 121 deputados, a maior bancada individual da próxima legislatura, e vinha trabalhando contra a reeleição do atual presidente da Câmara. A desistência de Sóstenes, portanto, ainda não representa uma adesão do partido a Motta.

O presidente da Câmara já reuniu apoios de partidos do centro e da esquerda. Entre as siglas citadas pela Folha estão PP, Republicanos, União Brasil, PSD, Podemos, MDB, PDT, PSB e PV. Em 14 de outubro, partidos do bloco de centro formalizaram apoio à reeleição de Motta, em um movimento para impedir que o PL assumisse o comando da Casa.

Câmara dos Deputados
Sessão plenária da Câmara dos Deputados. Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Outro nome que articulava uma candidatura condicionada à vitória de Flávio Bolsonaro era o primeiro vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL). Ele também trabalhava para ocupar uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU).

Motta não descarta receber o apoio do PL e pretende construir uma candidatura que reúna diferentes bancadas. Além dos acordos com as direções partidárias, planeja buscar adesões individuais e realizar reuniões com os deputados eleitos nos próximos dias, de acordo com a reportagem.

A disputa ocorre em meio à articulação de Lula por um novo pacto com o Centrão para assegurar governabilidade. O presidente comunicou a Motta e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), em reunião nesta segunda-feira no Palácio da Alvorada, que o PT apoiará a recondução dos dois. O apoio ainda não havia sido formalmente anunciado pelo partido.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!