Bolsonarista que ajudou o chefe a hostilizar jornalistas fez churrasco em escola pública após vitória do “mito” em 2018

Emerson Teixeira

O bolsonarista Emerson Teixeira ganhou fama nesta terça, dia 31, ao protagonizar um papel ridículo no tradicional show de horrores das coletivas Jair Bolsonaro.

A atração, que faz o eleitorado do presidente (ou, ao menos, o que resta dele) peregrinar de todo o país para vê-lo, acontece quase todas as manhãs no Palácio da Alvorada.

Como um circo, já contou até mesmo com a participação de um palhaço.

O fato é que Bolsonaro usa do espaço para se reafirmar. Sentir que está fazendo um bom trabalho e que detém apoio de grande parte da população. Receber orações e gritos de ‘mito’.

E, finalmente, ataca a imprensa, sob aplausos de sua claque. É como se ele se submetesse a um falso escrutínio para avaliar sua ações presidenciais – e sempre se sair satisfeito.

Hoje, em especial, fez alguns jornalistas se retirarem do local, induzindo um de seus fãs a atacá-los verbalmente.

Emerson Teixeira, 48, um youtuber bolsonarista auto-intitulado ‘O Professor Opressor’, começou a chamar a imprensa de ‘canalha’, enquanto segurava na mão direita sua câmera Go Pro, registrando o incrível momento para seu canal.

Interrompendo os jornalistas, Emerson ainda ganhou o aval de seu messias, que se esquivou das indagações e clamou: ‘É ele (Emerson) que vai falar! Não é vocês não!’.

E seguiu o fã, acusando a mídia de jogar o ministro Mandetta e Paulo Guedes contra o presidente. ‘Essa tática de vocês não vai funcionar!’, concluiu, enquanto os jornalistas hostilizados se retiravam.

O chefe ia ao deleite: ‘Vai embora? Vão abandonar o povo?’, caçoava.

O que se seguiu depois, entre os aplausos e o completo desprezo pelo jornalismo, foi simbólico.

Emerson e seus pares celebravam a vitória contra a imprensa: ‘Podem ir! Não precisamos de vocês’, diziam, enquanto o líder se deleitava: ‘A imprensa que não gosta do povo!’.

Então o Professor Opressor tomou a palavra, afirmando que a imprensa não se conformava com os canais de informação das redes bolsonaristas, e depois passou a citá-los, até ser interrompido por uma única voz que ali sobrou: ‘Vocês perderam o monopólio da informação, a era das trevas acabou! A gente se informa uns com os outros’, afirmou um sujeito.

O registro do momento viralizou (veja abaixo). Emerson então conquistava sua glória.

Enquanto escrevia esta matéria, os números do seu canal ascendiam. Foram pelo menos mais 100 inscritos em vinte minutos, que no momento contabilizam 22 mil.

Imerso no fanatismo bolsonarista, Emerson dá adeus ao anonimato.

Em um vídeo do canal, recém publicado, ele se vangloria de seu feito: ‘Jornalistas abandonam entrevista de Bolsonaro após minha fala’, é o título.

Seu canal conta com outros trabalhos de destaque: ‘Imprensa é inferno e jornalistas são demônios’, que é auto descritivo, ‘Robô destruindo STF’, e ‘Richard Rasmussem detona MI MI MI comunista’.

 

Então, ao seu líder, Emerson apresentou seu grande troféu: um processo, por ter organizado um churrasco na escola pública em que lecionava, celebrando a vitória eleitoral de Bolsonaro (no pé desta matéria).

Chamou os colegas de “esquerdopatas” e teve de pedir desculpas.

Ao que foi saudado pelo chefe: ‘Pula pra cá, rapaz!’. Risos.

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