Bolsonaristas conseguem assinaturas para criar a CPI do Banco Master

Atualizado em 3 de fevereiro de 2026 às 16:43
Banco Master. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Parlamentares da oposição reuniram, nesta terça-feira (3), assinaturas suficientes para pedir a abertura de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) destinada a investigar o caso do Banco Master. Ao todo, foram coletadas 279 assinaturas, número bem acima do mínimo exigido para a instalação de um colegiado do tipo no Congresso Nacional.c

O requerimento é liderado pelo deputado bolsonarista Carlos Jordy (PL-RJ), em coautoria com seus colegas do PL, de partidos do Centrão e da base aliada. Até o momento da divulgação, 237 deputados e 42 senadores haviam subscrito o pedido, superando com folga o quórum necessário de um terço da Câmara e do Senado.

Jordy afirmou que o pedido será protocolado ainda hoje. “Alcançamos um recorde histórico de assinaturas para a instalação de uma CPMI. Isso mostra que o Parlamento brasileiro está atento e comprometido em investigar esse escândalo que causa indignação na população”, declarou.

O protocolo marca o início formal do processo legislativo. A leitura do requerimento precisa ocorrer em sessão conjunta do Congresso, etapa que depende de decisão do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP). Após a leitura, caso instalada, a CPMI terá prazo inicial de 180 dias para conduzir investigações, convocar depoimentos e requisitar documentos.

O que está por trás da abertura da comissão é a campanha bolsonariista pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A nova ofensiva ganhou fôlego após a reportagem de Malu Gaspar, do Globo, que apontou uma suposta pressão de Moraes sobre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em favor do Banco Master, instituição controlada por Daniel Vorcaro. Moraes nega a acusação e afirma que os encontros com Galípolo trataram exclusivamente da Lei Magnitsky, tese reiterada em três notas públicas divulgadas pelo próprio magistrado.

O deputado federal bolsonarista Carlos Jordy (PL-RJ). Foto: Pablo Valadares/Agência Câmara

A comissão pretende apurar irregularidades, fraudes e prejuízos bilionários associados ao Master. O caso ganhou maior repercussão após a prisão do presidente da instituição, Daniel Vorcaro, em novembro de 2025, durante a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.

As investigações apontam suspeitas de fraudes envolvendo carteiras de crédito sem lastro e a venda de ativos ao BRB, com transações que podem chegar a cerca de R$ 12 bilhões e prejuízo estimado de ao menos R$ 5 bilhões ao banco público.

Além da CPMI, outras frentes avançam no Legislativo. A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado instalou um grupo de trabalho para acompanhar o caso, com início previsto para amanhã. Há ainda pedidos de CPI apresentados por Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e um requerimento de CPMI das deputadas Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e Heloísa Helena (Rede-RJ).

A oposição também tem direcionado críticas ao ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF) desde dezembro. Segundo Jordy, há preocupação com a condução do processo.

“Há preocupação legítima de que a condução do caso pelo relator no STF esteja sendo feita de maneira que não favoreça a transparência e a confiança pública”, afirmou. O ministro é alvo de questionamentos após decisões consideradas atípicas, como a determinação de envio de material apreendido da operação ao STF, e não à Polícia Federal.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.