Bolsonaro, agora influencer milionário, precisa socorrer Mauro Cid e os manés do 8 de janeiro. Por Moisés Mendes

Atualizado em 19 de janeiro de 2024 às 7:02
Mauro Cid e Jair Bolsonaro. Foto: REUTERS

Gleisi Hoffmann disse que Bolsonaro anda por aí, reunindo-se com seguidores em botecos e atacando Lula, porque lhe falta serviço. Mas Bolsonaro pode se dedicar ao ócio e gastar energia apenas nas desavenças com Valdemar Costa Neto.

Inelegível, agora ele é influencer. O maior fenômeno do PIX dispõe do que nenhum político tem hoje no Brasil. São R$ 17 milhões no banco desde julho, fora os acréscimos dos juros. São pelo menos mais R$ 800 mil.

Poucos empresários têm, em conta com liquidez imediata, R$ 17 milhões. Bolsonaro se diverte porque tem dinheiro para pagar advogado, recomprar milhares de relógios das arábias e até para fazer doações a manés que estiveram presos e já foram ou serão condenados.

Esse seria, numa situação normal, o dilema moral de Bolsonaro, um sujeito que juntou mais de R$ 17 milhões em PIX, enquanto a turba que invadiu Brasília não tem como pagar advogado e psicólogo.

Bolsonaro empurrou milhares de manés para o desatino e depois recolheu doações até de gente que recebe Bolsa Família. Manés com tornozeleira podem ter ajudado Bolsonaro a ficar rico.

Então, quando Gleisi diz que ele deve procurar serviço, está apenas repetindo uma frase antiga e hoje sem sentido para a extrema direita.

O fascismo não está preocupado com a ociosidade cansativa de Bolsonaro. Ninguém dirá: vai carregar lenha, Bolsonaro.

Mesmo sem poder disputar eleição, ele continua sendo modelo para pelo menos um terço dos brasileiros, até porque agora faz parte da elite endinheirada.

Como milionário, precisa ser forçado pelo seu entorno a ajudar os envolvidos no golpe tabajara de 8 de janeiro. É a hora de se mostrar benemerente.

Bolsonaro também precisa socorrer Mauro Cid, o coronel que estava a caminho de ser general e acabou se envolvendo com joias, vacinas e golpes, como recruta da família.

Cid está pedindo PIX para pagar advogado, porque teria uma dívida de R$ 600 mil. Bolsonaro, Carla Zambelli e Deltan Dallagnol arrecadaram muito dinheiro com o PIX.

Mas ela e eles também são influencers. Mauro Cid é apenas um ex-ajudante de ordens que pagava as contas de Michelle e foi abandonado pelos que o induziram a ser o leva-e-traz do esquema que conduziria ao golpe.

Não se tem notícia de que os apelos pela vaquinha de Mauro Cid tenham dado certo. Não há nada sobre a cifra que teria sido arrecadada.

Bolsonaro precisa saber do que Cid necessita e se informar sobre as demandas de pessoas de idade às vésperas de cumprir penas de até 17 anos de cadeia.

O sujeito que diz se resignar ao comando de Valdemar, por se considerar seu “marido”, tem circulado com a desenvoltura de um milionário, para quem dinheiro deixou de ser problema.

Mas, se desprezar a situação de quem se mobilizou por ele como líder daquele 8 de janeiro, a conta será cobrada mais adiante. Bolsonaro precisa enfiar a mão no bolso.

Mauro Cid merece de Bolsonaro o dinheiro de que precisa para sair do sufoco. O coronel não pode ser abandonado pela família que o manteve no Planalto como se fosse um serviçal sempre disponível.

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