Bolsonaro ameaça município no Espírito Santo em novo sinal de incompatibilidade com a democracia. Por Sacramento

 

Jair Bolsonaro tem apreço por notícias falsas.

Compreensível, pois foi eleito com a ajuda de mentiras espalhadas pelo Whatsapp.

Na live semanal transmitida pelo Facebook, voltou às inverdades, desta vez para chantagear a prefeitura de Cariacica, cidade localizada na região metropolitana da Grande Vitória.

O presidente ameaçou retirar os 100 policiais da Força Nacional que estão há um mês naquele município caso a prefeitura coloque em prática um disque-denúncia contra abusos das forças policiais.

“Se é o que estou pensando, vou falar com Moro, se começarem a denunciar policiais, a gente troca de município”, esbravejou.

Acontece que ele fez a ameaça baseado em um rumor, divulgado por algum apoiador de Bolsonaro com ambições políticas no município, conforme insinuou em entrevista à rádio CBN Vitória o prefeito de Cariacica, Geraldo Luzia de Oliveira Junior, do PPS.

“Fizeram isso com outras intenções, interesses eleitoreiros, são pessoas que querem ver o circo pegar fogo, querem ver as coisas confusas, na onda do pior melhor”, disse o prefeito.

Juninho, como é mais conhecido, explicou que realmente colocou o telefone da Ouvidoria da prefeitura à disposição do comando da força-tarefa enviada com a missão de controlar os homicídios na região.

Na entrevista, o prefeito explicou que o serviço foi criado em 2017 como canal de reclamações e sugestões dos moradores. Muitas dessas informações contribuem com os trabalhos das forças de segurança.

São queixas ou denúncias de terrenos baldios usados para esconder drogas, ruas com pavimentação precária que impedem o trânsito de viaturas policiais ou ocorrências de festas ilegais, problemas de responsabilidade do poder municipal, mas com efeitos nas ações das polícias.

A ideia do prefeito era compartilhar as informações, colocá-las à disposição das forças federais em atividade no município.

Do alto da sua boçalidade, Bolsonaro viu a Ouvidoria municipal como uma ameaça. Como um rato acuado, partiu para o ataque.

O ministro Moro ecoou a voz do patrão e chamou de indelicada a forma com que o prefeito Juninho apresentou a proposta.

As Ciências Políticas ou a Psicologia podem dar respostas para a reação intempestiva do presidente diante de um simples rumor.

Com todo respeito às duas áreas de conhecimento, prefiro recorrer à sabedoria popular e afirmar que Bolsonaro e Moro “vestiram a carapuça”.

Agiram como se tivessem a certeza de que a Força Nacional comete abusos em Cariacica.

Para a dupla que tenta aprovar uma lei que praticamente concede licença para matar aos policiais, qualquer sinal de controle social soa como ameaça iminente.

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