Bolsonaro aparelha Justiça, MP e polícia, enquanto Argentina avança na investigação sobre Macri

Jair Bolsonaro (EVARISTO SA / AFP)

Duas notícias que nos oferecem mais uma comparação entre o que acontece no Brasil e na Argentina, onde Congresso, Ministério Público e Justiça fecham o cerco em torno dos crimes cometidos durante o governo de Maurício Macri.

Esta é a notícia do Brasil:

O juiz Elder Luciano negou a quebra de sigilo telefônico e de e-mail dos três assessores do senador Flávio Bolsonaro (Victor Granado, Miguel Angelo Braga Grillo e Valdenice Meliga) na apuração sobre o suposto vazamento de informações sobre investigações que citavam a movimentação financeira de Fabrício Queiroz.

Em sua decisão, o magistrado apontou o que considera fragilidades no relato do empresário Paulo Marinho, ex-aliado e suplente de Flávio, que motivou a abertura da investigação. Luciano afirmou ainda que é necessário obter dados mais robustos para quebra o sigilo de pessoas que ele considera testemunhas de um suposto crime.

E está é uma das notícias em destaque desde ontem na Argentina:

Os promotores Cecilia Incardona e Santiago Eyherabide solicitaram e o juiz Juan Pablo Augé determinou a quebra do sigilo telefônico de quatro celulares apreendidos com Darío Nieto, principal assessor particular de Mauricio Macri.

Nieto é suspeito de ser um dos informantes de Macri no esquema de arapongas que perseguia Cristina Kirchner dentro da Agência Federal de Inteligência (AFI).

Também serão periciados os celulares de Susana Martinengo, ex-secretária de Macri. A Justiça já apreendeu celulares de agentes da AFI, espiões clandestinos, policiais, empresários e amigos de assessores de Macri.

O próprio Macri já teve o sigilo telefônico quebrado. A Justiça tenta localizar pelo menos cem celulares, fornecidos pelo governo, que eram usados pelos arapongas. Muitos sem nenhum vínculo oficial com o setor público.

A imprensa vem divulgando vazamentos de conversas que comprometem políticos, arapongas e assessores de Macri.

Aqui, nada se sabe nem sobre a quebra do siglo telefônico do Queiroz. E nada mais se falou dos telefones do capitão Adriano da Nóbrega.

A diferença entre o que acontece na Argentina e o que não acontece aqui é que lá um mutirão de MP, Justiça, Congresso e governo, em várias frentes, começa a desmontar o aparelhamento do Estado que funcionou no governo Macri.

Aqui, Bolsonaro ainda está aparelhando o governo e o que pode ser aparelhado nas polícias, no MP e no Judiciário.

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