Bolsonaro bajulou Trump com ministros militares na casa de embaixador dos EUA. Por Moisés Mendes

Esta foto, um raro momento de alegria e felicidade em meio à pandemia, foi vista apenas como mais uma imagem de declaração de amor de Bolsonaro ao seu líder que o esnoba e discrimina os brasileiros, considerados seres infectados e contagiosos tomados pela pandemia.

Bolsonaro e seus ministros militares confraternizam com o embaixador americano, no dia do aniversário da independência deles.

Foi no sábado, na residência de Todd Chapman, no Lago Sul, e ninguém deu muita importância a uma mensagem escancarada que Bolsonaro quis passar: para bajular Trump, ele levou a tiracolo quase todos os seus ministros militares.

Bolsonaro carregou para o almoço os ministros Braga Netto (Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Fernando Azevedo (Defesa), todos generais, mais o almirante Flávio Rocha, secretário especial de Assuntos Estratégicos do governo.

A única autoridade brasileira civil era Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores, que poderia estar presente na bajulação por ser o homem da diplomacia terraplanista.

O outro civil era Eduardo, o deputado filho que o pai leva sempre junto a encontros efusivos, como se fosse uma espécie de imitação paraguaia de um príncipe saudita.

Não foi ao encontro outro general do primeiro time, talvez o mais próximo de Bolsonaro, que é Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional. Não se sabe por que não estava lá.

Mas a ausência a ser notada na foto é a do ministro da Fazenda Paulo Guedes, o homem que precisa referendar toda a retórica pró-americana de Bolsonaro e dos militares e que numa hora dessas nunca aparece.

Por que Guedes não foi para dizer ao embaixador que tudo o que faz é para favorecer os interesses americanos? O que constrange Guedes e o faz se ausentar de encontros como esse?

Foi uma comitiva de generais. Como se Bolsonaro estivesse dizendo aos Estados Unidos que suas relações passam pelo lastro militar, pelo apoio dos fardados que funcionam como seus tutores.

Por que não havia nenhum outro ministro civil? Pode ser porque todas as questões políticas hoje estão sob o comando de gente que, mesmo na reserva, sempre estará de verde.

Mas não é só isso. Bolsonaro conseguiu transmitir a seguinte mensagem: os generais deixaram de me acompanhar no blefe do golpe, mas ainda me prestigiam como companhia em almoços com quem nos esnoba.

Bolsonaro leva seus generais para onde quer, mesmo que o grupo todo se submeta ao vexame de participar do esforço do sujeito para adular um preposto americano.

E o Guedes? Guedes sabe muito bem que deve ficar de fora de fotos com homens grandes fazendo pode com sinal de positivo como se fossem adolescentes faceiros na varanda dos ricos.

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