Bolsonaro continuará fazendo o de sempre no Congresso porque está cercado de gente com medo

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O vereador Renato Cinco, do PSOL do Rio, fez com o filho de Bolsonaro o que alguém já deveria ter feito com Bolsonaro pai. Enquanto Cinco falava sobre a agressão a Maria do Rosário, Carlos Bolsonaro (PP-RJ) foi se encaminhando em sua direção, até parar em frente a ele.

Ficou ali perto, medindo o colega, intimidador, repetindo um truque que, provavelmente, usou com os bagrinhos da escola — na hipótese de que Carlinhos frequentou a escola e não um sociedade secreta para pequenos anticomunistas, treinados desde a infância para proteger o Brasil e os valores da família.

Cinco não tremeu. Ao contrário, encarou Bolsonarinho e perguntou: “O senhor veio aqui pra quê?”.

“O vereador Carlos Bolsonaro, agindo igual a um valentão de colégio, andando na minha direção, para tentar me intimidar. Veio admirar minha beleza? Não é o senhor que é contra a homossexualidade? Veio admirar minha beleza por que, então? Freud está com razão”, falou.

Um ou dois vereadores ficaram a postos para garantir que os dois não se atracassem. Nota-se, no vídeo do YouTube sobre a confusão, que não seria preciso. Carlos, como todo sujeito que fala demais, é um covarde físico e Cinco é corpulento. CB sairia, no mínimo, com uma das patas machucadas. O que fez, quando chegou sua vez de discursar, foi tirar da cartola a tirada clássica da antiga quinta série: “Eu não tenho problema com homossexual, tanto que convivo contigo na Câmara” (Deu para ouvir baixinho, diretamente de algum buraco dos anos 80, a torcida da galera: “IIIhhhh… Eu não deixava!”)

O pai de Carlos, Jair, faz o que faz no Congresso porque sabe que, em primeiro e segundo lugares, não lhe acontecerá nada; em terceiro, porque não há um Renato Cinco para enfrentá-lo.

Da tribuna, Bolsonaro já pediu para Dilma parar de mentir. “Se o teu negócio é amor com homossexual, assuma”, afirmou. Chamou o PSOL de partido de “pirocas”. A ministra Eleonora Menicucci é “sapatona”.

Suas admoestações a favor da ditadura e da tortura são célebres. “O erro da ditadura foi torturar e não matar”; “Para o crime que FHC está cometendo contra o país sua pena devia ser o fuzilamente”. E um longo, interminável etc.

Bolsonaro está há 24 anos em Brasília e foi eleito para mais quatro com 500 mil votos de aloprados como ele. Fez uma espécie de comício no fim de novembro, quando foi saudado na formatura dos aspirantes da Academia de Agulhas Negras e aclamado “líder”.

Seus filhos estão na mesma carreira. Um deles, Eduardo, participou de um protesto em São Paulo com uma pistola na cintura.

O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, Ricardo Izar (PSD-SP), já avisou que o processo contra Bolsonaro fica para o ano que vem. Leia-se depois do Carnaval.

“Tenho imunidade parlamentar para falar o que eu quiser”, diz Jair Bolsonaro. Qual será seu limite? Dar um tiro em um parlamentar, como fez o pai de Collor, Arnon de Melo? Por que não?

Vai voltar a fazer a fazer o que sempre fez porque está, também, cercado, na grande maioria, de gente que finge se importar — e que, ao contrário de Renato Cinco, tem medo do fascista do quintal da escola.

 

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