Bolsonaro criará crise global ambiental sobre destruição da Amazônia. Por Kennedy Alencar

Jair Bolsonaro. Foto: Sergio Lima/AFP

PUBLICADO NO BLOG DO KENNEDY

POR KENNEDY ALENCAR

O presidente da República está aumentando o tamanho do problema ambiental brasileiro, gerando motivos para uma crise de proporções globais com retaliações econômicas e políticas. Jair Bolsonaro está numa escalada que colocará o Brasil na posição de país pária em temas ambientais.

Sem prova e com leviandade, o presidente atribuiu o aumento de queimadas na Amazônia a uma conspiração de ONGs internacionais a fim de prejudicar a sua administração e à leniência de governadores da região. Disse que não estava afirmando, mas afirmou. É mais uma fala irresponsável.

Bolsonaro pode unir a Europa e outros países em torno de alguma retaliação concreta ao agronegócio brasileiro. Não deve ser descartada ameaça de engavetamento ou mudança do acordo fechado entre a União Europeia e o Mercosul.

Não dá para Bolsonaro se fiar numa suposta boa relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem uma reeleição a enfrentar em 2020. A agenda ambiental é importante para a imprensa e a sociedade civil americana.

Aliás, a imprensa internacional tem dito que a Amazônia brasileira está sendo queimada e desmatada durante o governo Bolsonaro num nível recorde. Não adiante tentar esconder informações, como no famoso episódio de “mentiras do Inpe”. Satélites da Nasa já captaram queimadas no Brasil. Bolsonaro e o ministro Ricardo Salles, que está demolindo políticas públicas ambientais construídas durante décadas, transmitem a mensagem errada ao exterior.

Uma coisa é desprezar o Congresso, emparedar a classe política e atacar jornalistas como Bolsonaro faz com frequência. Outra é comprar uma briga que pode levar a um conflito diplomático e econômico de impacto planetário.

A estratégia de destruição institucional implementada por Bolsonaro pode extrapolar os limites domésticos e gerar uma reação internacional que afetará empregos e vidas reais no Brasil. Se o nosso sistema de freios e contrapesos não reage, os de outras nações podem entrar em campo.

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