“Bolsonaro é mesmo um genocida”: Visita do presidente com empresários ao STF repercute no Congresso

Bolsonaro vai a pé ao STF com empresários e provoca aglomeração

Foram muitas as declarações de membros do Parlamento sobre a ida do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e um grupo de empresários, ao Supremo Tribunal Federal (STF) no fim da manhã desta quinta-feira (7). Na pauta do encontro – sem prévio agendamento – com o ministro Dias Toffoli, o grupo defendeu o fim do isolamento social e o retorno da atividade econômica no país. Enquanto a comitiva se reunia no STF, Nelson Teich, da Saúde, argumentava que as medidas de lockdown deveriam ser avaliadas “caso a caso” na Câmara dos Deputados.

Comitiva

Eles estavam acompanhados do ministro da Economia, Paulo Guedes, que, ao fim do encontro, afirmou ser porta-voz de um apelo de diferentes setores da indústria. “Eles vinham dizendo que estavam conseguindo preservar os sinais vitais e agora o sinal que passaram é de que está difícil, a economia está começando a colapsar. E aí não queremos correr o risco de virar uma Venezuela, não queremos correr o risco de virar sequer uma Argentina, que entrou em desorganização, inflação subindo, todo esse pesadelo de volta”, disse o ministro.

Repercussão

“Nenhuma ação de Jair Bolsonaro é em defesa da vida dos brasileiros. A marcha insana continua, como essa ida hoje ao STF para pressionar pelo fim do isolamento social contra o coronavírus. Bolsonaro é mesmo um genocida”, definiu o vice-líder do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry (MA).

Representante do PSOL, deputado David Miranda (RJ), registrou, em suas redes sociais, o pouco apreço do presidente com a população brasileira. “Bolsonaro levou megaempresários ao STF para pressionar pelo fim do isolamento social. São mais de 8 mil mortes e um atraso criminoso na renda básica emergencial. Já deu bilhões aos bancos, agora é a vez dos megaempresários. Sabem com quem este canalha nunca se preocupou? O povo!”

Diplomata de carreira, o deputado federal Marcelo Calero (Cidadania-RJ) chegou a afirmar que o Brasil é um Estado de exceção em relação ao mundo. “ As autoridades brasileiras são as únicas no mundo que sabotam a saúde pública e disseminam, deliberadamente, o caos. Bolsonaro e sua turma significam o colapso completo”.

Já o senador Rogério Carvalho (PT-SE) alertou sobre a precariedade dos equipamentos de saúde no país, em estado mais deteriorado que a própria economia. “Agora Bolsonaro e Guedes reclamam que a ‘economia está na UTI’. A vida dos brasileiros também estão e nem respiradores mecânicos temos, profissionais da saúde se protegem com sacos de lixo porque não temos EPIs [Equipamentos de Proteção Individual], faltam médicos, tudo por conta da insistência do Presidente em ignorar a pandemia.”

Ação e Reação

Presidente nacional do PDT, Carlos Luppi usou a terminologia da necropolítica para explicar o que ocorre no país. “Hoje Bolsonaro participou de uma reunião com Toffoli e um grupo de empresários cujo pedido central era a volta à normalidade. ‘A indústria precisa sair da UTI’ disse um deles, enquanto a população faz filas para entrar em uma. Chega dessa necropolítica. Impeachment Já”, disse, apontando o pedido de afastamento protocolado pelo partido.

Terceirização de mortes

Presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire chegou a afirmar que o intuito da ida foi a coação da instituição. “Guedes e Bolsonaro organizaram uma marcha da estupidez e da morte em direção ao STF, com um séquito de empresários, para coagir a Corte, colocar a crise no colo dos ministros e terceirizar suas responsabilidades. No caminho, pisaram nos 8,5 mil mortos que a Covid-19 já deixou”, declarou.

Senador do Cidadania, Fabiano Contarato (ES) preferiu recordar o real papel do presidente. “Mais de 8 mil mortos no país e o Presidente, populista, sem real compromisso com a nossa sociedade, vai ao STF constranger ministros? Quer o fim do isolamento social a qualquer custo! Ouviu o que merecia: tem de propor soluções. Viáveis, claro!”, apontou.

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