
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) é retratada como uma figura mística ridícula no filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Sua personagem, chamada Dolores, é uma mulher “xamânica” e tem dreadlocks nos cabelos.
Dolores é a responsável por ajudar na recuperação de Bolsonaro após a facada usando “pílulas mágicas”. Leia o trecho do roteiro, obtido pelo jornal O Globo:
DOLORES: Uma febre está chegando.
Ela tira um pequeno saco plástico com pílulas — não fabricadas comercialmente, rústicas, como se tivessem sido feitas em sua cozinha.
DOLORES (CONT.): Estas vão te proteger.
Ela lhe entrega um copo de água da mesa.
MICHELLE: Não, Jair…
Ele abre um sorriso, despreocupado, levanta o copo para todos e engole duas pílulas. Ele se vira e vê que Dolores se foi. Ele olha ao redor, assim como os outros, mas ela recuou por algum beco escuro.
BOLSONARO: Para onde ela foi?!
EDUARDO: Sumiu. Como um fantasma!

Posteriormente, em uma cena que expõe o negacionismo da extrema-direita, o cirurgião Dr. Tavares questiona Bolsonaro sobre os medicamentos que havia tomado e diz que a mulher misteriosa “ela pode ter salvado a vida dele”.
A personagem aparece novamente ao fim do filme para visitá-lo na UTI e entregar mais “pílulas mágicas”. Na cena, ela entrega os remédios para ajudá-lo a ter forças para participar de um debate eleitoral e diz que Deus o poupou para a nação.
O filme mistura elementos de política e religião, e tem como principal foco a facada sofrida por Bolsonaro em 2018. Além de Damares, aparecem como personagens Aurélio Barba (Adélio Bispo), Zico (Gilson Machado) e Gloria de Rosales (Maria do Rosário). Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), e o presidente Lula são citados na trama.