Bolsonaro e sua base imutável, mas precária. Por Moisés Mendes

Bolsonaro e o gado. Foto: Sérgio Lima/AFP

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Por Moisés Mendes

A Folha deve publicar nos próximos dias mais uma pesquisa sobre a aprovação de Bolsonaro. O bom jornalismo diria que já era para ter publicado, para que pudesse medir o efeito da crise provocada pela demissão do alto comando militar.

Mas a Folha e o Datafolha têm esse ar blasé de corporações que estão acima de tudo e de todos. O jornal espera e perde a chance de medir o impacto da dispensa dos comandantes, se é que as pessoas conseguem mesmo prestar atenção nessas coisas.

O índice de aprovação (ótimo e bom) pode cair um pouco na próxima pesquisa, mas vai se manter ao redor dos 30%. Esses 30% serão quase imutáveis, até a eleição de 2022, se Bolsonaro aguentar até lá.

Na última pesquisa, Bolsonaro teve 44% de ruim e péssimo, 24% de regular e 30% de ótimo e bom. O homem, comete as maiores barbaridades, mas os índices oscilam muito pouco.

Pode até aumentar a desaprovação, com a fuga dos que dizem que o governo é regular e vão se juntar aos que consideram ruim e péssimo. Mas a aprovação se manterá nesse um terço do eleitorado. Mesmo que caia para 28%, não quer dizer quase nada.

É com esse um terço que Bolsonaro pretende seguir em frente, como
se continuasse lutando só com o cabo da adaga, o trabuco do Centrão e o apoio cada vez mais desconfiado dos militares.

São uns 15% do eleitorado que o apoiam incondicionalmente e mais 15% dos que acham que se livraram do PT ou estão ganhando dinheiro com o genocídio ou se sentindo seguros de que vem aí um golpe, ou que não entendem e nem querem entender o que está acontecendo.

Bolsonaro conta com a fidelidade dessa gente para manter sua base. Mas isso basta, se Bolsonaro nem partido tem até agora?

Não basta. Mas, se o sujeito for para um segundo turno, vai esperar agregar de novo os antiLula, antiPT, antipobre, anticotas, antinegro, antivacina, antigay, antiBolsa Família para repetir o que aconteceu em 2018.

O problema é conseguir repetir, porque Bolsonaro pode ficar de fora de um segundo turno, se a direita conseguir alguém confiável e os 15% mais volúveis o abandonarem. O que será ruim para Lula.

O bom adversário para Lula é Bolsonaro, que pode chegar à eleição só com o Augusto Heleno, Osmar Terra e um vidro de cloroquina.