Bolsonaro em Nova York: Adivinha quem não vem para jantar. Por Ricardo Miranda

PUBLICADO EM A CONFEITARIA POLÍTICA DE GILBERTO PÃO DOCE  

Você convidaria Jair Bolsonaro para jantar na sua casa, mesmo que ele prometesse não levar os filhos, não elogiar ditadores, nem comer com as mãos? Tem muita gente que não convidaria também. O que no caso da próxima viagem do presidente brasileiro aos Estados Unidos virou uma homenagem encravada. Depois do Museu de História Natural de Nova York, o Cipriani Wall Street, ligado ao restaurante de mesmo nome, também recusou sediar o evento “Personalidade do Ano”, da Câmara de Comércio Brasil-EUA, que vai homenagear o capitão reformado.

Por trás dessas decisões está a forte pressão do prefeito da cidade, Bill de Blasio, que demonstra uma lucidez tão rara nos dias de hoje que estou quase trocando meu titulo de eleitor pra lá. Formalmente, esses dois ícones nova-iorquinos argumentam que não seria possível garantir a segurança do evento, visto que muitos movimentos sociais se articulam contra sua realização. De Blasio, porém, vai bem mais longe, dizendo o que muitos brasileiros preferem varrer pra debaixo da consciência. “Jair Bolsonaro é um homem perigoso. Seu racismo evidente, sua homofobia e decisões destrutivas terão um impacto devastador no futuro do nosso planeta. Em nome de nossa cidade, obrigada Museu de Nova York por cancelar este evento”, escreveu o prefeito da Big Apple em suas redes sociais.

O evento de gala estava previsto para o dia 14 de maio pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, responsável pela brilhante ideia de homenagear Bolsonaro. Todos os anos, a câmara escolhe duas personalidades, uma americana e outra brasileira, e as premia em seu jantar para mais de mil convidados, com entradas ao preço individual de 30.000 dólares, que estão esgotadas. Pessoalmente, sugiro que a Câmara de Comércio convide Lula? Ah, ele está preso. Boa hora de sar de novo da cadeia. Quem sabe de saidinha em saidinha, nem percebam e uma hora dessas a gente cruze com o ex-presidente pelas ruas.

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Bill de Blasio, prefeito de Nova York, que não é comunista, nem filiado ao PT, à CUT ou ao MST,  está tornando difícil a tarefa de Bolsonaro ser homenageado com um jantar na cidade. “Jair Bolsonaro é um homem perigoso. Seu racismo evidente, sua homofobia e decisões destrutivas terão um impacto devastador no futuro do nosso planeta”.

Em favor da Câmara de Comércio Brasil-EUA diga-se que não são ideológicos. Só pensam com seus bolsos. Há alguns anos, vendo um Brasil pujante emergir no horizonte, eles puxaram o saco de Lula. “Não importa para onde você olhe, a condução econômica do governo Lula merece uma nota bastante alta”, afirmou José Maria Barrionuevo, analista de mercados emergentes do banco Barclays Capital.

Ao lado de Paulo Leme, diretor do banco Goldman Sachs, e de Peter Hakim, presidente do centro de análise política Diálogo Inter-Americano, Barrionuevo encheu o PT de elogios num seminário promovido pela mesma Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos para avaliar o governo do PT. Isso em 2003.

O curioso é que Bolsonaro apareceu entre as cem pessoas mais influentes do mundo, de acordo com lista da revista americana Time, que não fez exatamente um perfil favorável de Bolsonaro, dando uma nova atribuição à aparente homenagem. Único brasileiro na lista, o presidente está ao lado de nomes como o venezuelano Juan Guaidó, o israelense Binyamin Netanyahu e o americano Donald Trump. No perfil publicado pela revista, Bolsonaro é descrito como “um personagem complexo”, que representa uma “ruptura com uma década de corrupção”.

E continua: “O ex-oficial do Exército é também um garoto-propaganda da masculinidade tóxica, homofóbico ultraconservador empenhado em travar uma guerra cultural e talvez reverter o progresso do Brasil no ataque às mudanças climáticas.” Não sei, não, eu preferia estar fora dessa lista. Quanto ao jantar, melhor começaram e pensar em alternativas. “Sede da Ku-Klux-Klan de Nova York aceita receber o jantar em homenagem ao Capitão”, ironizou, numa auto-declarada fake news o auto-declarado presidente brasileiro José de Abreu.

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