Bolsonaro já cansou, mas está demorando para sair de cena. Por Moisés Mendes

Jair Bolsonaro. Foto: ludovic MARIN / AFP

PUBLICADO NO BLOG DE MOISES MENDES

POR MOISÉS MENDES

Há oito meses Bolsonaro nos mantém ocupados como pretenso governante. Bolsonaro nos toma o tempo. Acordamos pensando no que ele vai falar, até para poder rir do que não conseguimos controlar.

Passamos o dia discutindo o que ele disse. E vamos dormir sabendo que amanhã será pior e começará tudo de novo.

Nunca gastamos tanta energia e atenção com besteiras destruidoras. Bolsonaro é uma mala insuportável, mas não uma mala inofensiva, mas com o poder de deixar sequelas.

Ninguém consegue debater mais nada. Ele monopoliza o debate e nos mantém em alerta. Tem gente viciada na mediocridade de Bolsonaro.

Aquela entrevista em pé naquela cerquinha, em que ninguém pergunta nada, é o show diário de Bolsonaro. Porque ali ele diz o que vai desmentir durante a tarde.

Tem os tuítes do Bolsonaro. Ele pode refletir sobre supostas ameaças externas à Amazônia (desde que não sejam americanas), como pode pegar carona num gaiato e tirar sarro da mulher de Macron.

E mais os filhos de Bolsonaro. E os ministros de Bolsonaro. Tudo que fazemos é uma reação às falas e ações dos Bolsonaros e de seus cúmplices. Até tratamos de outros assuntos, mas só nos intervalos de uma discussão sobre alguma coisa sobre Bolsonaro.

Mas quando não forem mais nada, quando se transformarem em Aécios, em Cunhas, Serras e jaburus, quando estiverem em algum lugar junto com o Queiroz, os Bolsonaros terão de pagar pelo que fizeram. Pela destruição de direitos e patrimônios do país, pelos ódios, pela grosseria, pelos enganos e pelas mentiras, pelo envolvimento com milicianos, pelos laranjas, pela brutalização de seus seguidores e por terem nos tomado tanto tempo.

Os Bolsonaros nos sequestram conquistas de décadas e também roubam meses de nossas vidas, porque não há como não prestar atenção no que eles dizem e fazem.

Mas esperamos que não nos roubem anos. Que o poder deles se esgote logo, junto com o fim do poder de Sergio Moro, de Salles, de Damares, de Onyx, de Major Olímpio, de Ernesto Araujo e dos que se dependuraram no bolsonarismo.

Chegará o dia em que só falaremos dos Bolsonaros para dizer que tudo o que eles fizeram não irá se repetir, como os alemães dizem em relação ao nazismo e os italianos em relação ao fascismo.

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