Bolsonaro joga a extrema direita contra o Supremo. E daí? Por Moisés Mendes

Dias Toffoli e Jair Bolsonaro. Foto: Wikimedia Commons

Publicado originalmente no blog do autor

Bolsonaro foi até a rampa do Palácio do Planalto hoje à tarde para desafiar o poder do Supremo e jogar a extrema direita contra a mais alta Corte do país.

Fez uma transmissão ao vivo com o alegado objetivo de dizer que mudou a estratégia de combate à pandemia, referindo-se à demissão de Mandetta:

“Mudamos a política um pouco agora (na saúde), a partir de ontem. Se bem que a decisão foi do Supremo. O Supremo que decidiu que os Estados e municípios podem decretar as medidas que acharem necessárias para conter o avanço do vírus. Têm prefeitos aí que cometeram barbaridades”.

Depois, apontou em direção ao prédio do Supremo (foto) e revelou o verdadeiro motivo por estar ali:

“O Supremo falou que eu não tenho autoridade para isso, mas no que depender de nós vamos começar a flexibilizar e mostrar que não é este o caminho. A hora que chegar a conta não queiram colocar, não para mim, para o povo brasileiro”.

O Supremo já decidiu, por unanimidade, que governadores e prefeitos têm autonomia para definir restrições na área da saúde, com fechamento do comércio, igrejas e serviços e controle da circulação de ônibus, metrôs e pessoas.

Mas Bolsonaro está certo de que vai arranjar um jeito de passar por cima do STF.

O ataque de hoje deve ter sido dirigido principalmente a Gilmar Mendes, que no seu voto em defesa da autonomia de Estados e municípios disse que Bolsonaro “não dispõe do poder para eventualmente exercer uma política pública de caráter genocida”.

O que o Supremo vai fazer com o acinte de Bolsonaro? Nada. Vão dizer que não há o que fazer. Assim como não fizeram nada quando um filho de Bolsonaro disse que um soldado e um cabo, sem um jipe, poderiam fechar o Supremo.

Em fevereiro, Bolsonaro divulgou vídeos que chamavam para passeatas convocadas pela extrema direita para atacar o Supremo.

Esta semana circulou a informação sobre os arapongas da inteligência do Planalto, que teriam alertado Bolsonaro da conspiração de Rodrigo Maia, Doria Júnior e uma ala do Supremo. Todos estariam montando um plano para derrubá-lo.

O ataque de hoje faz parte da estratégia de amedrontar os ministros. Os militares podem até não ter participação nenhuma no ataque. O que fica claro é que Bolsonaro continua fazendo o que bem entende.

O Supremo era a instituição mais ofendida pelos bolsonaristas que saíam às ruas, até a chegada da pandemia. Bolsonaro e sua turma têm certeza de que metem medo no STF.

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